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Novo delator se apresenta e aumenta pressão contra Trump no caso Ucrânia

Funcionário da inteligência afirma ter novas informações sobre ações do presidente para coagir ucranianos a investigar Joe Biden

Por Da Redação - Atualizado em 7 out 2019, 09h30 - Publicado em 7 out 2019, 09h14

A pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou neste domingo, 6, depois que um segundo delator se apresentou e afirmou ter evidências da pressão do republicano sobre a Ucrânia para investigar o democrata Joe Biden. O novo personagem, também um agente de inteligência, pode dar aos democratas novos elementos para a investigação que pretende levar ao impeachment do presidente.

O processo de destituição de Trump foi iniciado depois que um primeiro funcionário da inteligência dos Estados Unidos denunciou as tentativas do americano de pressionar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a apurar supostas ações ilegais de Biden no país. O ex-vice-presidente é atualmente um dos principais candidatos democratas para as eleições de 2020.

O advogado Mark Zaid, que representa os dois informantes que acusam Trump, disse que o segundo deles pode corroborar informações prestadas pelo primeiro. Este segundo denunciante foi ouvido pelo inspetor-geral dos serviços de Inteligência, Michael Atkinson, afirmou Zaid, citado pela emissora ABC. Ainda não entrou em contato, porém, com as comissões legislativas que fazem a investigação.

A queixa do primeiro delator, apresentada ao inspetor-geral em 12 de agosto, citava informações recebidas de autoridades americanas que expressaram a preocupação de que Trump usava o cargo para solicitar interferência estrangeira em sua busca por um segundo mandato em 2020. Zaid afirma que o segundo agente “também fez uma delação protegida sob a lei e não pode sofrer retaliação”.

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Há suspeita de que Trump usou 391 milhões de dólares, destinados a assistência na área de segurança, como barganha para assegurar a promessa de Zelensky de investigar Biden e seu filho Hunter, que trabalhou como diretor em uma companhia energética ucraniana, a Burisma. “Meu escritório e minha equipe representam múltiplos delatores ligados às divulgações de 12 de agosto de 2019 ao inspetor-geral da comunidade da inteligência”, disse Andrew Bakaj, um segundo advogado, em publicação no Twitter. A Casa Branca é acusada de acobertar o caso.

Mensagens de texto do Departamento de Estado revelaram outros detalhes, incluindo a promessa de que o presidente ucraniano seria recebido em Washington se ajudasse na investigação. Zelensky visitou a Casa Branca em setembro e, na semana passada, o novo procurador-geral ucraniano, Ruslan Ryaboshapka, disse que reabrirá a investigação sobre o caso.

Diante das acusações, a Casa Branca liberou a transcrição da conversa telefônica do americano com Zelensky. Na ligação de julho, Trump pede para o presidente ucraniano “dar uma olhada” no caso. “Nós vamos até o fundo da questão”, diz ainda. Trump e seus aliados afirmam que não fizeram nada de errado. O presidente pediu publicamente que a China também ajude apurar suspeitas envolvendo a família Biden.

Quem tem se beneficiado dessas acusações mútuas é a senadora democrata Elizabeth Warren, que em algumas pesquisas já aparece à frente de Biden como principal pré-candidata democrata. A política de Massachusetts tem um discurso mais à esquerda em relação a Biden, um moderado que foi vice de Barack Obama.

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Trump admite que os democratas na Câmara têm votos suficientes para fazer o processo de impeachment avançar, mas ressalta que a maioria republicana no Senado deve impedir sua destituição. A Câmara precisa de uma maioria simples de 218 legisladores para enviar as acusações ao Senado. Os democratas ocupam 235 cadeiras das 435. No Senado, o pedido deve ter o apoio de dois terços da Casa, ou seja, 67. Hoje, há 53 republicanos, 45 democratas e 2 independentes.

Em dois tuítes neste domingo, o presidente Donald Trump voltou a rejeitar as acusações, mas não fez menção ao segundo denunciante. Trump repetiu a afirmação de que Hunter Biden havia recebido “100.000 dólares ao mês de uma empresa com sede na Ucrânia, apesar de não ter experiência em energia… e, em separado, recebeu 1,5 bilhão de dólares da China, apesar de não ter experiência e por nenhuma razão aparente”. “Tenho uma obrigação de investigar um caso de possível, ou provável corrupção!”, acrescentou.

Joe Biden respondeu rapidamente através do Twitter: “Na minha experiência, pedir a um governo estrangeiro que fabrique mentiras sobre seu oponente político interno não é ‘feito o tempo todo'”. Até o momento, não há qualquer evidência de que Biden ou seu filho tenham feito algo ilegal. Segundo a imprensa americana, Hunter recebeu até 50.000 ao mês como membro da diretoria da Burisma, mas não há indícios de atos ilícitos. Segundo o jornal Kyiv Post, Hunter e Joe Biden não foram sequer investigados na Ucrânia e os processos criminais abertos na Justiça local envolviam apenas a Burisma e Mykola Zlochevsky.

(Com Estadão Conteúdo e AFP)

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