Novo bombardeio israelense no Líbano mata 12 pessoas, a maioria da mesma família
Israel intensificou ofensiva no sul libanês desde a semana passada, quando tomou controle da colina de Ali Taher, uma posição estratégica do Hezbollah
Israel prometeu, nesta segunda-feira, 7, que continuará atacando o Hezbollah, milícia libanesa financiada pelo Irã, após bombardeios que deixaram ao menos 12 mortos, a maioria membros de uma mesma família, incluindo mulheres e crianças.
Desde que o Exército israelense anunciou, na última quinta-feira, que tomou o controle da colina de Ali Taher, uma posição estratégica do Hezbollah em Nabatiye, o país intensificou os ataques na região. Nesta madrugada, um bombardeio contra um edifício residencial em Kfar Reman deixou 11 civis mortos, incluindo duas crianças e quatro mulheres, informou o Ministério da Saúde libanês.
Outras oito pessoas ficaram feridas, incluindo três crianças e um socorrista da Associação de Saúde Islâmica, um serviço de emergência ligado ao Hezbollah. Um fotógrafo da agência de notícias AFP viu o edifício de três andares completamente destruído, com livros didáticos e restos de móveis espalhados entre os escombros.
Além disso, um segundo ataque na madrugada atingiu um veículo que transportava socorristas da Associação de Escoteiros Risala Islâmicos, matando um deles e ferindo outros dois, segundo a pasta. Os Escoteiros Risala são um serviço de emergência vinculado ao movimento Amal, um grupo xiita aliado ao Hezbollah.
O número de vítimas “serve como mais uma prova irrefutável das graves violações do direito internacional humanitário cometidas pela ocupação israelense, tendo como alvo profissionais de saúde e crianças”, declarou o Ministério da Saúde libanês.
Batalha com o Hezbollah
O IDF, Exército israelense, afirmou ter atacado “instalações de infraestrutura” do Hezbollah em resposta ao lançamento de dois drones carregados com explosivos contra seus soldados, posicionados na colina de Ali Taher, e acrescentou que continuará “realizando operações para eliminar as ameaças, ao mesmo tempo em que mantém seu compromisso com o acordo de cessar-fogo”.
“A alegação de que várias pessoas não envolvidas no conflito foram feridas em decorrência dos ataques está sendo analisada”, acrescentou o comunicado.
Os moradores da localidade, próxima da grande cidade de Nabatiye, retornaram para suas casas graças à trégua de junho, depois que foram deslocados pela guerra entre Israel e Hezbollah.
“Desde que voltamos, vivemos angustiados”, contou à AFP Fuad Chakaron, um morador do bairro. Ele afirmou que no edifício atacado viviam “pessoas que não tinham nenhum vínculo com ninguém” da milícia xiita.
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Desde a última sexta-feira, 27 pessoas morreram em ataques no sul, segundo um balanço do Ministério da Saúde libanês.
O grupo armado libanês, mais forte que o Exército oficial e que também tem relevante braço político, arrastou o Líbano para o conflito regional ao lançar, em março, ataques contra Israel em apoio ao Irã, seu aliado. As represálias israelenses mataram mais de 4.300 libaneses, segundo as autoridades; do outro lado, 40 soldados israelenses e quatro civis perderam a vida durante o conflito, de acordo com dados oficiais.
Embora os combates tenham diminuído de intensidade desde o fim de junho, após um protocolo de acordo entre Estados Unidos e Irã, além de um acordo paralelo entre o Líbano e Israel, o Exército israelense prossegue com os ataques esporádicos no sul, onde ocupa uma faixa fronteiriça de quase 10 quilômetros.
O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já aventou reiteradamente a ideia de anexar o território de maneira permanente, para criar uma “zona tampão” entre seu país e o Líbano.





