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Novas imagens trazem detalhes sobre ataque a shopping no Quênia

A rede americana CNN divulgou imagens de câmeras de segurança do centro comercial Westgate, em Nairóbi, atacado por terroristas no dia 21 de setembro

Por Da Redação - 17 out 2013, 21h07

Novas imagens das câmeras de segurança do shopping de luxo Westgate, em Nairóbi, no Quênia, mostram detalhes da ação dos terroristas do grupo somali Al Shabab (“A Juventude”, em árabe) no ataque que deixou ao menos 69 mortos em setembro. O material obtido pela rede americana CNN apresenta os primeiros momentos do atentado, quando pessoas começaram a correr após disparos serem feitos dentro do centro comercial. Logo no início da filmagem, um homem se atira no chão para se fingir de morto, mas é baleado covardemente por um terrorista. Os criminosos aparecem fortemente armados com granadas e fuzis.

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Na sequência da gravação, um terrorista é visto apontando sua arma para uma mulher acompanhada por duas crianças e uma adolescente com um ferimento de bala. Segundo a CNN, elas foram liberadas mais tarde pelos criminosos.

Nos quatro dias em que mantiveram o controle do shopping, os terroristas também encontraram tempo para fazer orações, como flagrado por uma das câmeras de segurança. Os assassinos poupavam a vida de quem conseguisse provar ser muçulmano, desde que citasse trechos do Corão ou o nome da mãe de Maomé, o fundador do Islã. Durante a ação, um dos membros do grupo terrorista é visto falando ao telefone. As autoridades acreditam que ele recebia instruções de membros do Al Shabab que estavam fora do complexo – a própria rede terrorista afirmou ter mantido contato com os criminosos durante a ofensiva.

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Como há mais de vinte pessoas desaparecidas desde o atentado – as buscas foram encerradas há duas semanas -, as dúvidas sobre o que aconteceu no shopping de luxo permanecem: quantas pessoas os terroristas mataram? Quantos terroristas foram mortos pelas forças quenianas? Quantos civis e terroristas ficaram presos sobre os escombros da parte do prédio que ruiu? Não se sabe se os quatro terroristas que aparecem nas imagens foram presos ou mortos pelas forças de segurança. Até mesmo o número de terroristas que invadiram o local é incerto. Ao anunciar a “derrota” dos criminosos, três dias depois do ataque, o presidente Uhuru Kenyatta afirmou que cinco terroristas foram mortos e onze suspeitos foram detidos.

A participação de terroristas ocidentais no ataque está sendo investigada. A polícia norueguesa busca informações sobre a participação de um cidadão norueguês de origem somali no ataque. O homem de 23 anos foi identificado como Hassan Abdi Dhuhulow, pela rede britânica BBC. Um parente do suspeito disse que ele deixou a cidade norueguesa de Larvik e foi morar na Somália em 2009. Nascido na Somália, ele se mudou para a Noruega com a família na condição de refugiado, em 1999.

Também depois do atentado, a Interpol (polícia internacional) emitiu, a pedido das autoridades do Quênia, uma ordem de captura internacional contra a britânica Samantha Lewthwaite, apelidada de “viúva branca” pela imprensa inglesa. De acordo com as autoridades, Samantha, uma convertida ao islã de 29 anos, é suspeita de envolvimento com o grupo Al Shabab. Ela foi casada com Germaine Lindsay, um dos terroristas suicidas que perpetraram os atentados a Londres em 2005 – e que resultaram na morte de 52 pessoas.

O Al Shabab surgiu em 2006 como um braço armado dos tribunais da sharia, a lei islâmica, na Somália, então assolada por uma guerra civil. No ano passado, o líder do grupo declarou fidelidade à Al Qaeda. A maioria dos membros estrangeiros do grupo vem do Paquistão, Afeganistão, Sudão e Iêmen. Cada vez mais, porém, a organização tem alistado ocidentais.

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