Nova York vai permitir voto de 1 milhão de imigrantes sem cidadania
Medida entra em vigor nas eleições de 2023 e enfurece membros do Partido Republicano
O conselho municipal de Nova York aprovou na quinta-feira 9 uma nova legislação que dará direito de voto a imigrantes não cidadãos dos Estados Unidos.
A decisão vem sendo tratada como histórica, e dará a possibilidade de quase 1 milhão de pessoas de participar nas eleições para prefeito e outros cargos municipais já no pleito de 2023.
Para que os não cidadãos possam votar, é preciso morar na cidade por mais de 30 dias e ter pelo menos uma autorização de trabalho.
Aproximadamente 1 milhão de não cidadãos adultos vivem em Nova York, o que equivale a 20% dos eleitores registrados. Ainda não se sabe, porém, se todos estarão dispostos a ir às urnas.
As pessoas que moram ilegalmente não podem votar. Quem violar a medida da cidade de Nova York pode ter que pagar 500 dólares de multa, cerca de 2.800 reais, e pegar um ano de prisão.
Os republicanos estão enfurecidos com a vitória. Eles alegam que a constituição estadual diz que apenas cidadãos podem votar e que Nova York nunca pretendeu conceder poder de voto a pessoas que viveram no país apenas por um mês.
Especialistas na área afirmam que a mudança de Nova York é legal.
A líder da maioria do conselho, Laurie Cumbo, a primeira mulher afro-americana a ocupar esse cargo, disse que a medida mudará a dinâmica de poder da cidade. E que potencialmente enfraquecerá o voto negro em bairros como o Harlem, onde os moradores estão lutando contra a gentrificação.
Embora os dominicanos ganhem terreno, ela disse que ainda não sabia como isso afetaria os residentes negros.
Outras cidades americanas, como Los Angeles, Washington e Portland já haviam cogitado a possibilidade dos imigrantes legais votarem.
Arizona, Dakota do Norte, Flórida, Colorado e Alabama proíbem a mesma medida em seus estados, parte de um esforço paralelo dos republicanos para proibir tal votação em todo o país.
Os republicanos chamaram a ideia de “radical” e prometeram combatê-la no tribunal de Nova York e “em todos os cinquenta estados”, disse a presidente do Comitê Nacional Republicano, Ronna McDaniel, em um comunicado.
Para que a medida se torne lei, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, precisa assinar o projeto ou recusar a vetá-lo em trinta dias.
Embora tenha dito que não tinha certeza de sua legalidade, Blasio disse que não vetaria a medida.
Os imigrantes respondem por quase 37% dos 8 milhões de residentes na cidade de Nova York, mostram os números do censo, e as autoridades municipais dizem que quase 60% são cidadãos naturalizados.
O resto são titulares de greencard, trabalhadores temporários ou estudantes e imigrantes sem documentos.





