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Nova onda de violência deixa 15 mortos na Faixa de Gaza

(Atualiza número de vítimas e acrescenta declarações).

Saud Abu Ramadan.

Gaza, 10 mar (EFE).- Ao menos 15 milicianos palestinos morreram e outras 25 pessoas ficaram feridas na Faixa de Gaza em confrontos com Israel nas últimas 24 horas, após a morte do líder de uma das milícias em um ataque aéreo nesta sexta-feira.

A espiral de violência pôs em estado de emergência todo o sul de Israel, onde desde a sexta-feira caíram cerca de 100 foguetes, com um balanço de quatro feridos.

As últimas vítimas são três milicianos que tentavam disparar foguetes contra Israel das localidades de Rafah e Khan Yunis, segundo informou o porta-voz dos serviços de emergência da Faixa, Adham Abu Salmiyeh.

A maioria das vítimas supostamente militava na Jihad Islâmica, que confirmou que dez dos 15 mortos e uma parte considerável dos feridos em bombardeios são membros de seu braço armado, segundo informou a agência independente ‘Ma’an’.

A Jihad é uma das milícias da faixa territorial palestina que se somou à represália contra Israel por ter matado nesta sexta-feira o secretário-geral dos Comitês Populares de Resistência, Zuhair al-Qaisi, em um ataque na cidade de Gaza, onde morreram outros dois milicianos e que provocou uma nova onda de violência na Faixa e no sul de Israel.

Qaisi foi acusado nesta sexta-feira pelos serviços de inteligência israelenses de estar preparando um atentado de grandes proporções na zona fronteiriça entre Israel e Gaza, ou na Península do Sinai, onde em agosto do ano passado morreram oito israelenses em uma onda de ataques com armas automáticas e explosivos.

Desde a morte de Qaisi nesta sexta-feira, as milícias palestinas lançaram foguetes contra áreas rurais israelenses ao redor da Faixa palestina e contra cidades mais distantes, anunciou o chefe do braço armado dos Comitês, Abu Ataya. Ele afirmou que seus homens tinham recebido ordens de ‘fazer a terra tremer’.

A imprensa local e as Forças Armadas israelenses quantificaram em cerca de 80 os projéteis caídos em Israel, entre morteiros e foguetes de alcance diverso, deixando quatro feridos, entre eles um em estado grave no território do Conselho Regional de Eshkol.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste sábado que Israel seguirá atacando quem considerar necessário para impedir atentados contra seus cidadãos independentemente das represálias e dos foguetes.

‘Seguiremos atacando quem pretender agredir os cidadãos israelenses’, disse o governante a vários prefeitos das localidades situadas nos arredores de Gaza, que sofrem desde a sexta-feira uma chuva de foguetes palestinos.

Um comunicado oficial aponta que o primeiro-ministro lhes explicou as razões que o levaram a ordenar a morte do militante apesar de saber que isso levaria a uma represália das milícias.

Na avaliação do primeiro-ministro, o que Israel precisa fazer neste caso é ‘melhorar ainda mais sua defesa’ e ‘comprar mais sistemas antimísseis como o Iron Dome’, que derrubou 27 foguetes em pleno voo enquanto se dirigiam a Ashdod, Ashkelon e Be’er Sheva.

Em nota, a Jihad Islâmica assumiu a autoria do lançamento de 41 mísseis Grad, 20 mísseis de fabricação própria, seis morteiros e três foguetes de 107 milímetros. Os demais foram supostamente disparados pelos Comitês Populares e por grupos menores.

O movimento palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza, limitou-se a condenar os ataques israelenses pelo território. Diversos analistas israelenses indicam que o grupo não está envolvido no disparo de foguetes.

No entanto, isso não evitou que o Exército israelense o responsabilizasse da atividade armada das outras milícias e das consequências de uma ‘futura operação militar para restaurar a calma’ na região.

‘O Hamas usa outras organizações terroristas para cometer ataques terroristas contra Israel e arcará as consequências dessas ações’, indica o comunicado militar israelense.

O ataque contra o líder dos Comitês pôs fim a um período de relativa calma que durou pouco mais de seis meses. Na última onda de violência por causa dos atentados do Sinai, morreram 29 palestinos e um israelense.

O analista israelense Ron Ben Yishai escreve neste sábado no portal de notícias ‘Ynet’ que o Exército israelense mudou de estratégia em relação aos grupos armados palestinos em Gaza e que, diferentemente do ano passado, quando teve informações do atentado e preferiu não agir para não provocar uma escalada da violência, ‘agora aprendeu a lição e elimina os que o preparam, sem esperar’. EFE

sar-elb/mm