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Nova onda de violência deixa 14 mortos na Faixa de Gaza

Saud Abu Ramadan.

Gaza, 10 mar (EFE).- Pelo menos 14 milicianos palestinos morreram e outras 20 pessoas ficaram feridas na Faixa de Gaza em confrontos com Israel nas últimas horas, após a morte do líder de uma das milícias em um ataque aéreo nesta sexta-feira.

As últimas vítimas são dois palestinos que andavam de motocicleta quando foram atingidos neste sábado na cidade de Khan Yunis por um míssil israelense disparado do ar, informaram fontes médicas.

A identidade dessas vítimas, supostos milicianos, não foi divulgada, mas o grupo Jihad Islâmica confirmou que dez dos 14 mortos, além de uma parte considerável dos 20 feridos registrados em bombardeios por toda a faixa litorânea, são membros de seu braço armado, informa a agência de notícias independente ‘Ma’an’.

A Jihad é uma das milícias da faixa territorial palestina que se somou à represália contra Israel por ter matado nesta sexta-feira ao secretário-geral dos Comitês Populares de Resistência, Zuhair al-Qaisi, em um ataque na cidade de Gaza, onde morreram outros dois milicianos e que provocou uma nova onda de violência na Faixa e no sul de Israel.

Qaisi foi acusado nesta sexta-feira pelos serviços de inteligência israelenses de estar preparando um atentado de grandes proporções na zona fronteiriça entre Israel e Gaza, ou na Península do Sinai, onde em agosto do ano passado morreram oito israelenses em uma onda de ataques com armas automáticas e explosivos.

Israel culpou os Comitês Populares de Resistência por tais atentados – por número de militantes, são a segunda maior milícia de Gaza, depois da do Hamas – e matou o então chefe de seu braço armado.

Desde a morte de Qaisi nesta sexta-feira, as milícias palestinas lançaram foguetes contra áreas rurais israelenses ao redor da Faixa palestina e contra cidades mais distantes, anunciou o chefe do braço armado dos Comitês, Abu Ataya. Ele afirmou que seus homens tinham recebido ordens de ‘fazer a terra tremer’.

A imprensa local e as Forças Armadas israelenses quantificaram em cerca de 80 os projéteis caídos em Israel, entre morteiros e foguetes de alcance diverso, deixando quatro feridos, entre eles um em estado grave no território do Conselho Regional de Eshkol.

As últimas duas séries de foguetes foram disparadas nesta manhã após horas de calma ao amanhecer.

As Forças Armadas israelenses informaram que suas baterias de defesa antiaérea Iron Dome conseguiram derrubar 23 dos 25 mísseis Grad destinados às cidades de Beersheba, Ashdod e Ashkelon, as três mais populosas da região.

‘O Exército está preparado para defender os cidadãos israelenses e responderá com determinação a qualquer ataque terrorista’, diz um comunicado militar do Estado judaico.

Em nota, a Jihad Islâmica assumiu a autoria do lançamento de 41 mísseis Grad, 20 mísseis de fabricação própria, seis morteiros e três foguetes de 107 milímetros. Os demais foram supostamente disparados pelos Comitês Populares e por grupos de menores.

O movimento palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza, limitou-se a condenar os ataques israelenses pelo território. Diversos analistas israelenses indicam que o grupo não está envolvido no disparo de foguetes.

No entanto, isso não evitou que o Exército israelense o responsabilizasse da atividade armada das outras milícias e das consequências de uma ‘futura operação militar para restaurar a calma’ na região.

‘O Hamas usa outras organizações terroristas para cometer ataques terroristas contra Israel e arcará as consequências dessas ações’, indica o comunicado militar israelense.

O ataque contra o líder dos Comitês pôs fim a um período de relativa calma que durou pouco mais de seis meses. Na última onda de violência por causa dos atentados do Sinai, morreram 29 palestinos e um israelense.

O analista israelense Ron Ben Yishai escreve neste sábado no portal de notícias ‘Ynet’ que o Exército israelense mudou de estratégia em relação aos grupos armados palestinos em Gaza e que, diferente do ano passado, quando teve informações do atentado e preferiu não agir para não provocar uma escalada, ‘agora aprendeu a lição e elimina os que o preparam, sem esperar’. EFE