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Nova batalha na praça Tahir abala a transição democrática

A nove dias das eleições legislativas, choques deixam um morto e 600 feridos

Por Da Redação 19 nov 2011, 19h18

Os manifestantes não acreditam que o Conselho Supremo das Forças Armadas aceitará realizar uma transição democrática, apesar da previsão de realização de eleição

Faltando apenas nove dias para as eleições legislativas no Egito, a frágil transição política no país sofre um novo abalo com novos confrontos na Praça Tahir, no Cairo, neste sábado. Os choques entre manifestantes e as forças de segurança deixaram um morto e mais de 600 feridos. Centenas de manifestantes estão no local, muitos munidos de pedaços de paus e máscaras para proteger o rosto dos efeitos do gás lacrimogêneo, depois que a polícia recuou para as imediações do Ministério do Interior, também próximo à praça. Os protestos são comandados pelo grupo islâmico Irmandade Muçulmana.

Os slogans mais ouvidos na tarde deste sábado eram referentes ao chefe da Junta Militar que governa o Egito, o marechal Hussein Tantawi. Os manifestantes não acreditam que o Conselho Supremo das Forças Armadas aceitará realizar uma transição democrática, apesar da previsão de realização de uma eleição legislativa – a primeira depois da queda do ditador Hosni Mubarak – dentro de pouco mais de uma semana. Testemunhas relataram que as tropas de choque bateram com cassetetes nos manifestantes – em grande maioria jovens – neste sábado. Alguns manifestantes prometiam passar a noite no local.

“Estamos assistindo a um novo 25 de Janeiro”, declarou entusiasmado um dos integrantes do movimento, Muhamad Mahmoud, escondido em um portal da praça durante o confronto com os agentes. O 25 de janeiro de 2011 foi um marco no processo que levou à queda de Mubarak. Mahmoud contou que a batalha campal começou quando a polícia despejou familiares de vítimas da revolução nesta manhã. O grupo havia acampado na sexta-feira no centro da praça. Pouco depois, centenas de jovens foram para o local e enfrentaram a polícia de choque, que disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes. Eles responderam lançando pedras.

O primeiro-ministro Essam Sharaf fez um chamado aos manifestantes para que deixem a praça e reabram os acessos, agora controlados por brigadas de voluntários. Os choques ocorrem um dia depois de milhares de egípcios ocuparem a praça para protestarem contra o documento proposto pelo vice-primeiro-ministro, Ali el-Selmi, que previa uma série de prerrogativas a Junta Militar na futura Constituição. No documento, Selmi sugeriu que o comitê constituinte fosse formado por 100 pessoas, das quais só 20 sairiam do Parlamento, o que enfureceu a maior parte dos partidos. Neste sábado, Selmi voltou atrás nessa decisão.

(Com agência EFE)

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