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Norte-coreanos juram lealdade após execução de tio de Kim Jong-un

Pyongyang organizou parada militar que envolveu dezenas de milhares de soldados para mostrar fidelidade das tropas ao ditador

Por Da Redação 16 dez 2013, 12h58

Dezenas de milhares de soldados norte-coreanos mostraram nesta segunda-feira em Pyongyang sua lealdade a Kim Jong-un em um ato para reforçar a unidade em torno do ditador, dias depois da execução de seu tio Jang Song-thaek, acusado de traição. Os soldados carregavam uma faixa vermelha com letras brancas em coreano com o lema: “‘Mantemos em alta estima o camarada Kim Jong-un como o único centro da unidade e da liderança”, segundo as fotografias publicadas pela agência estatal do regime, KCNA.

A concentração, que aconteceu em frente ao Palácio de Kumsusan, é um ato aparentemente destinado a proteger o líder e fortalecer a unidade do exército, um dos pilares do regime. O ato ocorre uma semana depois que o governo da Coreia do Norte executou Jang Song-thaek, ex-número dois do país e tio do ditador Kim Jong-un. De acordo com a imprensa estatal, Jang foi executado por vários crimes, entre eles tramar uma conspiração contra seu sobrinho. O meio de comunicação estatal também destacou que o tio do líder tinha criado uma facção política que discordava da linha majoritária do regime.

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A imprensa norte-coreana vem sendo usada no país para pedir à população que mantenha a “unidade ideológica e siga sem hesitações o líder supremo, Kim Jong-un”. Analistas acreditam que a Coreia do Norte poderia sofrer algum tipo de instabilidade política após a execução de Jang e o expurgo de seus partidários. Eles também destacam que a concentração dos militares foi no Palácio de Kumsusan, onde estão os corpos do pai e do avô de Kim. No local provavelmente ocorrerão atos de homenagem ao ditador Kim Jong-il, cuja morte completa dois anos amanhã. A imprensa estatal ainda não divulgou informações sobre a agenda desta importante data na Coreia do Norte, país que incentiva um culto extremo à personalidade de seus ditadores.

Para Bruce Kligner, analista e ex-agente da CIA responsável por monitorar a Coreia do Norte, Kim está levando o poder político herdado de seu pai e seu avô para novos níveis de brutalidade. Além de Jang, Kim substituiu o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior. “Claramente, ninguém está a salvo da ira de Kim”, disse Kligner à CNN. Segundo a imprensa sul- coreana, Kim Chol, o vice-ministro do Exército norte-coreano, foi executado no ano passado sob ordens de Kim para não deixar “nenhum traço dele, nem mesmo o seu cabelo”. Alguns relatórios – diz o analista – sugerem que ele foi executado com um morteiro, num ato de extrema violência e demonstração de força.

A fúria do ditador da Coreia do Norte contra seu tio não se limita à retirada dele do poder e à execução. À moda stalinista, Jang começou a desaparecer dos registros do Estado comunista (confira fotos abaixo). Imagens divulgadas pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul mostram que Jang teve sua figura apagada – e de maneira pouco sutil – de O Grande Camarada, um filme-exaltação em homenagem ao ditador do país. Além das imagens, todas as menções a ele – exceto aquelas que falam das condenações – também estão desaparecendo do site da KCNA.

(Com agência EFE)

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