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Nobel da Paz Óscar Arias é acusado de abuso sexual por psiquiatra

Ex-presidente da Costa Rica também responde à Justiça por ter autorizado exploração de ouro em área de proteção ambiental

O ex-presidente da Costa Rica Óscar Arias foi acusado na segunda-feira 4 à Justiça de seu país de ter cometido abuso sexual há quatro anos. A denúncia da psiquiatra Alexandra Arce von Herold tem potencial de destruir o legado de um dos maiores estadistas da América Latina. Por meio de seu advogado, Arias refutou a acusação.

“Eu nego categoricamente as acusações contra mim. Eu nunca agi de maneira desrespeitosa à vontade de nenhuma mulher”, afirmou Arias por meio de comunicado enviado por Rodolfo Brenes, seu defensor.

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1987 por sua liderança no processo de paz na América Central, Arias responde também na Justiça da Costa Rica por prevaricação. Em 2008, quando era presidente, ele assinou dois decretos executivos que permitiram a exploração de ouro em um corredor de proteção ambiental por uma empresa canadense.

Agora, Arias se vê diante das acusações da psiquiatra Von Herald que, como dirigente de uma organização em favor do desarmamento nuclear, reunira-se inúmeras vezes o Nobel da Paz. Conforme consta da cópia de seu processo compartilhada com o jornal The New York Times, Von Herald foi assediada por Arias durante uma reunião para discutir um evento em Viena na casa do ex-presidente. O processo menciona que ele veio por trás dela, tocou seus seios, levantou sua saia e a penetrou com seus dedos.

Ao Times, Von Herald disse ter ficado congelada e em choque no momento do ataque. A única frase que conseguiu verbalizar foi: “Você é casado”. Ela contou que conhecia Arias desde criança porque sua mãe havia sido parlamentar do mesmo partido.

A psiquiatra afirmou que decidiu tornar o caso público depois de surgir o movimento #meetoo. Ver o desenlace dos casos de assédio e abuso sexual por homens poderosos, como o produtor de filmes Harvey Weinstein e o comediante Bill Cosby, a inspirou a apresentar a denúncia, assim como os depoimentos das ginastas dos Estados Unidos contra o médico Larry Nassar.

“Todas as mulheres que denunciaram (casos de abuso) me ajudaram. Eu penso que, talvez, eu também possa ajudar outras mulheres”, afirmou.