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Nobel da Paz aumenta o prestígio de Barack Obama, mas a pressão também cresce

Por Da Redação 9 out 2009, 14h27

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai doar todo o dinheiro do Prêmio Nobel da Paz para a caridade, informou nesta sexta-feira o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. O prêmio é um cheque de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a 1,4 milhão de dólares (2,433 milhões de reais).

Obama receberá o cheque e uma medalha na cerimônia de premiação em Oslo em 10 de dezembro. Gibbs anunciou que o presidente vai pessoalmente receber o prêmio.

Responsabilidade – Nove meses depois de se tornar o primeiro presidente negro da maior potência do planeta, Obama foi condecorado nesta sexta com o mais renomado prêmio internacional. Mas, ao mesmo tempo que o Nobel da Paz aumenta seu já indiscutível prestígio internacional, também joga sobre seus ombros o peso de inúmeras responsabilidades e reforça as expectativas de toda a população mundial em relação a tudo o que ele ainda pode fazer.

“Esperamos que esse prêmio o incentive a abrir o caminho para a Justiça no mundo”, disse Ali Akbar Javanfekr, conselheiro do presidente Mahmud Ahmadinejad em uma primeira reação iraniana. “Não estamos contrariados e esperamos que, recebendo este prêmio, ele comece a adotar medidas concretas para acabar com a injustiça no mundo”, acrescentou.

“Estou muito feliz que tenha recebido o prêmio. Agora, ele deve fazer algo com isso. Esse prêmio aumenta a esperança de vê-lo defender os países oprimidos”, comentou a dissidente chinesa Rebiya Kadeer, que vive refugiada nos Estados Unidos e cujo nome é frequentemente citado para o Nobel da Paz.

O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, informou em sua página no Twitter ter ligado para Barack Obama para parabenizá-lo pelo “prêmio merecido”. “O presidente está impaciente de vir buscar (o prêmio) em Oslo”, acrescentou, classificando a escolha, numa entrevista à agência France-Presse, como “supreendente, mas entusiasmante”.

Todavia, alguns pontos pesam contra a imagem de Barack Obama. Ele é acusado de ter privilegiado os interesses estratégicos e econômicos dos Estados Unidos com a China em detrimento dos direitos humanos, principalmente depois de não ter recebido o líder espiritual tibetano Dalai Lama. O governo americano se defende de tais acusações, reafirmando seu compromisso com a defesa das liberdades.

Por outro lado, o fato de romper bruscamente com a controvertida política de seu antecessor, George W. Bush, já lhe dá pontos suficientes de confiança, além de outras medidas que ganham a aprovação de mais da metade dos americanos.

Desde janeiro, Obama anunciou o fechamento da prisão de Guantánamo, proibiu a tortura, acelerou a desmobilização no Iraque, prometeu à comunidade internacional uma nova era de cooperação, e estendeu a mão a Cuba, aos muçulmanos e, inclusive, aos inimigos sírios e iranianos. Obama também se comprometeu com a resolução do conflito israelense-palestinos, se juntou a um novo esforço contra o aquecimento climático e prometeu um mundo sem armas nucleares.

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Mas, com ou sem o Nobel, os Estados Unidos têm pela frente sérias dificuldades. O grande teste político doméstico de Obama será seu grande projeto de reforma do sistema de saúde. E ele sabe que, mesmo que o país saia da pior recessão desde os anos 30, o desemprego poderá chegar a 10% antes do fim do ano e continuar assim até meados de 2010, ano de eleições e da metade de seu mandato.

Surpresa – Entre discussões sobre se o prêmio foi ou não concedido cedo demais, a decisão do Comitê Nobel parece ter pegado completamente desprevenida a Casa Branca e o próprio Obama. Foi o porta-voz Gibbs quem acordou o presidente com uma ligação às 6h, quase uma hora depois do anúncio de Oslo, segundo confidenciou um funcionário do governo.

Ninguém parecia estar preparado. A primeira reação demorou quase duas horas. A ala oeste da Casa Branca, de onde Obama comanda a primeira potência mundial, ficou por muito tempo às escuras. Um discurso foi anunciado às pressas.

“Estou surpreso e profundamente honrado”, afirmou em uma coletiva de imprensa organizada no jardim da Casa Branca. O presidente americano afirmou que o prêmio Nobel é “um chamado à ação” pelo clima, contra a proliferação nuclear e os conflitos.

Para ele, a condecoração não é “um reconhecimento de minhas conquistas, mas sim a afirmação da liderança norte-americana em nome das aspirações das pessoas em todas as nações. Sinto que não mereço estar ao lado de tantas figuras transformadoras que já foram honradas com este prêmio. Mas também sei que este prêmio reflete o tipo de mundo que esses homens e mulheres, e que todos os americanos, querem construir”, declarou.

Ciente das cobranças que serão infladas a partir do Nobel, o presidente americano chamou os países à cooperação e admitiu que não conseguirá resolver todos os problemas do mundo. “Os desafios não podem ser encarados por qualquer líder sozinho ou qualquer nação sozinha. Parte do trabalho que temos de fazer não será concluído durante minha presidência. Alguns, como a eliminação das armas nucleares, podem não ser concluídos durante meu tempo de vida”.

Ao anunciar o prêmio, o Comitê do Nobel elogiou Obama por “seus extraordinários esforços para fortalecer a cooperação internacional” entre os povos. “Muito raramente uma pessoa com a mesma amplitude de Obama capturou a atenção do mundo e deu ao seu povo a esperança de um futuro melhor”, destacou a entidade.

Perguntado sobre por que o prêmio foi dado a Obama menos de um ano depois que assumiu o cargo, o presidente do Comitê do Nobel, Thorbjoern Jagland (foto ao lado), disse que a intenção é “apoiar o que ele está tentando atingir”.

Obama viajará a Oslo para receber o prêmio, que será entregue em cerimônia em 10 de dezembro. O vencedor ganha uma medalha de ouro, um diploma e um prêmio em dinheiro de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,5 milhões).

(Com agência France-Presse)

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