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No Japão, Trump quis navio americano “USS McCain” fora da vista

Embarcação leva o nome do senador republicano, morto em 2018, que mais desafiou a candidatura e a gestão do presidente

A Casa Branca solicitou que o navio batizado com o nome do senador republicano John McCain, rival de Donald Trump morto em agosto de 2018, permanecesse “fora da vista” do presidente americano durante sua recente visita ao Japão, informou o The Wall Street Journal.

Em troca de e-mails entre oficiais do Comando do Pacífico (braço da Armada que comanda as operações no oceano Pacífico), da Marinha e da Força Aérea americanos, aos quais o jornal teve acesso, é pedido que “o USS John McCain precisa ficar fora da vista”.

As correspondências foram trocadas antes da visita presidencial, entre os últimos dias 25 e 29. O USS John McCain é um destróier de mísseis teleguiados da classe Arleigh Burke.

Pouco antes de Donald Trump discursar nesta terça-feira 28 no convés do porta-aviões USS Wasp, ancorado na base americana da cidade japonesa Yokosuka, uma lona que cobria o nome do senador no USS John McCain foi retirada, mas outra embarcação foi colocada entre as duas naves para dificultar a indesejável vista.

O porta-voz da 7ª Frota americana disse que “todos os navios conservaram sua posição habitual durante a visita do presidente”. No Twitter, o chefe de relações públicas da Marinha, Charlie Brown, disse que “o nome do navio USS John McCain não foi obstruído durante a visita do Presidente a Yokosuka”. “A Marinha tem orgulho desse navio, de sua tripulação, de seu nome e de sua herança”, disse Brown.

Questionado por uma usuária no Twitter sobre a lona, Brown disse que as fotos em que o navio aparece com o nome encoberto foram tiradas um dia antes da visita de Trump.

Também no Twitter, Donald Trump afirmou, na noite de quarta-feira, 29, que não sabia desse pedido durante sua visita. “Não fui informado de nada que tenha a ver com o navio da Marinha ‘USS John McCain’ durante minha recente visita ao Japão”, afirmou.

Donald Trump e John McCain nunca esconderam o desprezo mútuo. O milionário, isento do serviço militar, ironizou em 2015 o status de herói da guerra do Vietnã do falecido senador, que foi prisioneiro e torturado durante cinco anos.

Figura respeitada da política americana, mesmo entre os democratas, McCain retirou seu apoio à candidatura de Trump na eleição presidencial de 2016 e, como congressista, votou contra o projeto da Casa Branca de eliminar a Lei de Saúde aprovada pelo governo de Barack Obama.

Vítima de câncer cerebral, McCain morreu em 25 de agosto de 2018, aos 81 anos. Ele fez questão de  anunciar que não desejava a presença de Trump em seu funeral.