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No Japão, duas pessoas morrem após a chegada do tufão Hagibis

O governo do país emitiu o alerta máximo de emergência e milhares de pessoas tiveram que evacuar suas casas

O tufão Hagibis tocou o solo no Japão neste sábado à tarde, 12, onde sua chegada foi precedida por chuvas torrenciais e fortíssimos ventos que provocaram a morte de pelo menos duas pessoas e a declaração de alerta máximo. O alerta implica a recomendação de evacuação de cerca de 7,3 milhões de pessoas. No fim do dia, milhares de pessoas já estavam em abrigos e recebiam rações de emergência e mantas quando um terremoto de magnitude 5,7 abalou a região de Tóquio, aumentando a tensão. Pelo menos 30 pessoas ficaram feridas até o momento.

Um homem de 50 anos morreu perto de Tóquio em um carro capotado por ventos fortes, enquanto outra pessoa morreu após ser levada em um carro, informou a emissora pública NHK. Nove pessoas continuam desaparecidas em deslizamentos de terra e inundações informou a tevê estatal.

Antes de chegar ao continente, Hagibis já havia causado problemas nos transportes e importantes cortes de energia. As companhias aéreas cancelaram 1.669 voos domésticos e 260 internacionais neste sábado, noticiou a emissora japonesa de televisão NHK. Todos os trens de alta velocidade (Shinkansen) entre Tóquio e Nagoya foram cancelados, assim como os que ligam Nagoya e Osaka.

Neste sábado, os fabricantes de automóveis Toyota e Honda fecharam suas unidades, assim como supermercados e outros estabelecimentos do setor alimentício. Os dois parques de diversões da Disney em Tóquio também decidiram não abrir neste sábado.

Os organizadores do Grande Prêmio de Fórmula 1 de Suzuka, perto de Nagoya (centro da cidade), cancelaram toda a programação do dia. Os treinos livres foram limitados à sexta-feira, e os de classificação, transferidos para domingo de manhã, pouco antes do início da corrida. Duas partidas da Copa do Mundo de Rúgbi marcadas para este sábado já haviam sido canceladas na quinta-feira: França-Inglaterra, em Yokohama, e Nova Zelândia-Itália, encontros que atrairiam cerca de 115.000 espectadores.

Estima-se que o Hagibis vá ser o primeiro tufão classificado como “muito potente” a atingir a principal ilha de Honshu desde 1991.

Alguns bairros de Tóquio receberam o alerta máximo para chuvas. Ao meio-dia, já havia determinações de evacuação voluntária para 3,25 milhões de pessoas, com atenção especial para idosos, pessoas com problemas de saúde e crianças, segundo a NHK. Mais de 13.500 pessoas buscaram os abrigos oferecidos pelo governo. A maioria delas teve suas casas parcialmente danificadas pelo tufão Faxai, que atravessou o Japão há um mês.

“Fui, porque o outro tufão arrancou o telhado da minha casa, e agora chove lá dentro. Estou muito preocupado”, disse à televisão local um senhor de 93 anos, instalado em um abrigo em Chiba. Também são esperadas fortes chuvas em algumas regiões, com, por exemplo, 500 milímetros em 24 horas na área de Tóquio, e até 800 milímetros no centro do país. As emissoras mostravam hoje imagens de ondas gigantescas contra os diques na costa e moradores de litorâneas amontoando sacos de areia na entrada de suas casas.

O primeiro-ministro Shinzo Abe ordenou que sejam “tomadas todas as medidas possíveis para garantir a segurança do povo”, segundo o porta-voz do Executivo, Yoshihide Suga. As autoridades temem que o tufão gere caos nos transportes, coincidindo com um fim de semana prolongado no Japão, no qual muitos habitantes planejavam viajar de trem, ou de avião.

(com AFP e Reuters)