No centenário de Fidel, Cuba encara crise que põe à prova seu legado
Enquanto o regime celebra os 100 anos do líder revolucionário, a ilha enfrenta apagões prolongados, escassez de alimentos e combustíveis e uma economia em colapso
Nesta quinta-feira, 13, Cuba celebra o centenário de Fidel Castro com exposições, conferências e cerimônias oficiais, enquanto atravessa uma das mais graves crises de sua história recente. Cem anos após o nascimento do líder revolucionário, a ilha convive com apagões que podem ultrapassar 20 horas, escassez de combustível, alimentos e medicamentos e a deterioração de serviços básicos.
A data também foi marcada pelo reaparecimento público de Raúl Castro. Aos 95 anos, o ex-presidente e irmão de Fidel participou, em Havana, de uma cerimônia em homenagem ao centenário. Vestido com o tradicional uniforme verde-oliva, foi recebido com aplausos no Teatro Karl Marx. Foi sua primeira aparição pública em meses.
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Raúl sucedeu Fidel na Presidência em 2008 e deixou o cargo uma década depois. Embora Miguel Díaz-Canel seja o atual presidente e primeiro-secretário do Partido Comunista desde 2021, Raúl continua sendo uma figura de influência nos bastidores do regime.
Festa em meio ao apagão
A celebração acontece enquanto a crise energética se tornou parte da rotina dos cubanos. A deterioração da rede elétrica, somada à escassez de combustível, tem provocado sucessivos apagões nacionais e cortes prolongados que deixam cidades inteiras sem energia.
O governo cubano atribui o agravamento da situação às sanções americanas, especialmente às medidas que restringiram o fornecimento de petróleo à ilha. Washington, por sua vez, responsabiliza o regime pela má gestão da economia e pela falta de investimentos na infraestrutura energética.
A crise, porém, antecede as medidas mais recentes. Cuba enfrenta há anos uma economia fragilizada, marcada pela baixa produtividade, escassez de moeda estrangeira, infraestrutura deteriorada e dificuldade para financiar importações básicas.
A pandemia aprofundou o problema ao atingir o turismo, uma das principais fontes de divisas do país. Com menos recursos, a escassez de combustível passou a comprometer não apenas a geração de eletricidade, mas também o transporte e a distribuição de alimentos.
O legado da Revolução
Durante décadas, a estabilidade do regime cubano esteve baseada em uma espécie de pacto social. O Estado oferecia acesso amplo a serviços como saúde e educação, além de subsídios e proteção econômica, em troca de rígido controle político sobre a sociedade.
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Para os defensores da Revolução de 1959, esse modelo garantiu conquistas sociais e preservou a soberania cubana diante da pressão americana. Para seus críticos, a estrutura veio acompanhada da concentração de poder, da ausência de pluralismo político e da repressão à oposição.
A crise atual coloca esse pacto sob pressão. O Estado enfrenta dificuldades crescentes para manter serviços que ajudaram, durante décadas, a sustentar a legitimidade do regime.
Na prática, problemas que antes pareciam restritos à economia passaram a dominar o cotidiano. Conseguir alimentos, encontrar combustível, manter a casa iluminada ou ter acesso a medicamentos se tornou uma batalha para parte da população.
Para uma geração de cubanos, Fidel ainda está associado a um período em que o país tinha maior capacidade de oferecer serviços públicos e ocupava um papel de destaque no cenário internacional. Para outros, a crise é justamente uma consequência do modelo construído sob seu comando.







