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Nicolás Maduro autoriza ajuda humanitária da Cruz Vermelha na Venezuela

Organização internacional rompe barreira do regime venezuelano, que considera o apoio como `esmola` e pretexto para uma invasão ao país

A Federação Internacional da Cruz Vermelha anunciou nesta sexta-feira, 29, que recebeu autorização do ditador Nicolás Maduro e da oposição, liderada por Juan Guaidó, para começar sua campanha de ajuda humanitária na Venezuela.

Esta é a primeira vez que o governo chavista reconhece a legitimidade do apoio de um grupo internacional, com exceção das entidades de seus aliados russos e chineses. A Cruz Vermelha, uma organização humanitária não vinculada a nenhum Estado, já havia dito no início desta sexta que, com um sinal positivo de Maduro, suprimentos médicos seriam entregues aos hospitais venezuelanos já na próxima semana.

Desde que Guaidó se autoproclamou presidente interino, em 23 de janeiro, ele e Maduro estão em uma queda de braço pelo controle da ajuda humanitária no país, usando a questão a favor de suas posições políticas. Maduro alega que a ajuda humanitária é uma “esmola” não requisitada por seu governo e que seria pretexto para uma invasão militar americana a ao país.

O oposicionista é apoiado por mais de cinquenta países, liderados pelos Estados Unidos, e recebeu grandes remessas de mantimentos desses governos. Maduro condenou a iniciativa estrangeira, dizendo que os venezuelanos não precisavam “das migalhas” americanas. Ele ainda afirmou que pagaria para que a comida e os medicamentos necessários viessem da Rússia

A Cruz Vermelha informou que seus suprimentos serão destinados para oito hospitais da própria instituição na Venezuela, esquivando-se de sistemas de distribuição partidários. Cerca de 650 mil pessoas devem ser beneficiadas pela ajuda humanitária, estimou Francesco Rocca, o presidente da Federação, em entrevista em Caracas.

Rocca reiterou que a organização agirá de acordo com seus princípios de “imparcialidade, neutralidade e independência” e “sem aceitar a interferência de ninguém”.

Em 23 de fevereiro, aniversário de um mês da autoproclamação de Guaidó, os carregamentos de alimentos e suprimentos médicos administrados pelo oposicionista e enviados para as fronteiras venezuelanas com a Colômbia e o Brasil foram bloqueados pelo governo chavista em meio a tumultos que deixaram cerca de sete mortos e dezenas de feridos.

Maduro alegou que essas remessas eram uma “desculpa” para uma intervenção militar com o objetivo de derrubá-lo. Rocca deixou claro que a Cruz Vermelha está disposta a levar essa ajuda acumulada nas fronteiras até o seu destino final, mas apenas sob as regras da instituição.

“Essa é uma questão muito politizada. Mas se essa ajuda estiver de acordo com nossas regras e nossos protocolos, é claro que estamos dispostos a distribuí-la”, concluiu.