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Nicarágua: jornalistas críticos ao governo são processados por terrorismo

Funcionários do canal 100% Noticias são mantidos em prisão conhecida por ser centro de torturas e em condições desumanas

A Justiça da Nicarágua decidiu nesta quarta-feira 30 processar o diretor do canal privado de televisão 100% Noticias, Miguel Mora, e sua chefe de jornalismo, Lucía Pineda, críticos ao governo de Daniel Ortega, por supostos “atos terroristas” durante os protestos opositores.

O juiz Henry Morales programou o julgamento para o dia 15 de março, amparado em mais de 20 testemunhas da Procuradoria que acusam os jornalistas de promover a violência através do veículo de comunicação, afirmou o advogado dos comunicadores, Julio Montenegro.

Na audiência, à qual a imprensa teve acesso, o juiz considerou que há provas suficientes para processar os jornalistas, apesar de o advogado ter pedido que a acusação seja rechaçada.

“Não há um só elemento que prove que os jornalistas tenham induzido outra pessoa a cometer um ato ilegal”, afirmou Montenegro, advogado da Comissão Permanente de Direitos Humanos (PCDH).

“Estão tentando criminalizar o trabalho que eles realizam como comunicadores”, acrescentou.

Mora e Pineda foram detidos em 21 de dezembro depois que a polícia fez uma operação de busca na sede do canal.

O 100% Notícias, que transmite 24 horas via cabo, foi um dos veículos de comunicação com cobertura mais intensa sobre a crise na Nicarágua desde a explosão dos protestos contra o governo em 18 de abril.

A repressão aos protestos deixou, segundo organizações humanitárias, pelo menos 325 mortos, mais de 700 presos e milhares de exilados em países vizinhos.

Ambos estão na prisão El Chipote de Manágua, um conhecido centro de torturas, onde permanecem em condições desumanas, segundo constatou na semana passada um grupo de deputados do Parlamento Europeu que visitou o local.

A decisão da justiça nicaguarense acontece ao mesmo tempo em que o governo da Venezuela vem sendo muito criticado por prender sete jornalistas estrangeiros nos últimos dias.

Foram dois comunicadores franceses, dois colombianos e um espanhol presos. Nesta quarta-feira 30 dois chilenos foram deportados após passarem 14 horas sob a custódia das autoridades.

(Com AFP)