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Netanyahu virá ao Brasil, mas não ficará para a posse de Bolsonaro

Primeiro-ministro de Israel enfrenta processos por corrupção, antecipação de eleições e perda de alianças políticas no Parlamento

Por Da Redação - Atualizado em 26 dez 2018, 11h57 - Publicado em 25 dez 2018, 20h57

Acusado de corrupção em várias investigações criminais, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deverá ser a principal ausência na posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro. Sua presença já havia sido confirmada e era tida pelo governo de transição como um dos principais trunfos do futuro mandatário na esfera internacional.

De acordo com a embaixada de Israel, Netanyahu deverá desembarcar no Brasil na sexta-feira, 28, mas encurtará sua estada. Sua partida está agora prevista para o domingo, 30. A decisão ainda pode mudar.

Netanyahu e Bolsonaro se encontrarão entre os dias 28 e 30 no Rio de Janeiro. Um dos possíveis temas da conversa será a transferência da embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, a exemplo do que fizeram os Estados Unidos em maio passado. O tema é controverso dentro do próprio governo de transição, apesar da insistência do presidente eleito em levar adiante este projeto. Os militares temem que a iniciativa atraia ao Brasil acões de grupos extremistas islâmicos. Na área econômica, o temor está centrado na redução das importações de produtos brasileiros por países muçulmanos.

No domingo, o primeiro-ministro deverá também conceder uma entrevista para a imprensa brasileira na cidade. Se o premiê israelense faltar à posse, Bolsonaro poderá contar apenas com as presenças dos presidentes do Chile, Sebastián Piñera, e da Bolívia, Evo Morales – os únicos confirmados até o momento. O presidente americano, Donald Trump, um dos ídolos de Bolsonaro, será representado por seu secretário de Estado, Mike Pompeo.

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A antecipação do retorno do primeiro-ministro para Israel se deve a uma reviravolta política israelense que coloca em risco o seu próprio futuro como governante. Os líderes dos partidos da coalizão governista em Israel chegaram a um acordo nesta segunda, 24, para dissolver o Parlamento e convocar novas eleições gerais para abril de 2019.

O acordo foi fechado após a coalizão fracassar em conseguir apoio para aprovar a legislação que convoca judeus ultraortodoxos para o serviço militar.

Há 10 anos no poder, Netanyahu deve concorrer ao seu quarto mandato consecutivo em abril e continua como favorito para a eleição, segundo as pesquisas de opinião. Mas o primeiro-ministro se vê fragilizado politicamente pelos casos de corrupção que o envolvem e que levaram à dissolução da base de apoio de seu partido, o Likud, de direita. O governo de Netanyahu possui maioria de apenas 61 assentos dos 120 do Knesset, o Parlamento de Israel

Segundo o jornal Jerusalem Post, uma das razões pelas quais a eleição é bem-vinda para Netanyahu diz respeito à possibilidade de seu impedimento pelo procurador-geral, Avichai Mandelblit a qualquer momento. Seu mandato terminaria em novembro de 2019. Se reeleito em abril, terá imunidade por mais cinco anos.

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A crise em sua base de apoio agravou-se depois de Netanyahu ter concordado com uma trégua com o Hamas, que domina o território palestino da Faixa de Gaza. A decisão provocou a recente renúncia do então ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, que retirou seu partido, o Yisrael Beiteinu, da coalizão de apoio ao primeiro-ministro. Lieberman pretendia comandar uma operação de grande envergadura contra o grupo.

Desde março, quando começaram os protestos dos palestinos em favor de seu retorno a suas regiões de origem em Israel, mais de 250 palestinos foram mortos pelo Exército israelense. Milhares ficaram feridos.

(Com Estadão Conteúdo)

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