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Netanyahu sabia dos ataques de 7 de outubro, diz jornal, e oposição pede renúncia do premiê

Investigação do 'Haaretz' revela que o líder israelense havia sido avisado pelos Emirados Árabes sobre invasão do Hamas quase 10 dias antes

Por Luiza Zubelli 8 set 2026, 19h57
Netanyahu sabia dos ataques de 7 de outubro, diz jornal, e oposição pede renúncia do premiê Priorize VEJA no Google

Vários líderes da oposição israelense manifestaram sua indignação com Benjamin Netanyahu nesta terça-feira, 8, após vir a público uma investigação que revelou que o governo dos Emirados Árabes Unidos alertou o primeiro-ministro de Israel sobre o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A bomba política veio a menos de dois meses do pleito que, em outubro, escolherá um novo governo para o país, encarado como uma espécie de referendo sobre a atual administração.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o presidente emirati, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, conversou com Bibi quase 10 dias antes da incursão terrorista e avisou que o grupo armado de Gaza estava preparando uma grande ofensiva contra o Estado judaico.

A reportagem afirma ainda que o premiê israelense “não fez nada” com a informação. Questionado sobre a publicação, o gabinete de Netanyahu disse que as alegações são “puras mentiras” e negou que ele tenha interagido com o mandatário dos Emirados Árabes naquela época.

“As informações publicadas pela imprensa são falsas. O primeiro-ministro não recebeu nenhuma advertência dos Emirados Árabes Unidos antes de 7 de outubro”, disse o comunicado. A nota acrescenta, porém, que os dois países podem ter trocado mensagens por meio de canais de inteligência.

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O Ministério das Relações Exteriores emirati, por sua vez, afirmou não ter “nenhum comentário” acerca das informações publicadas pela imprensa.

Pressão

Após a reportagem do Haaretz, Gadi Eisenkot, um ex-comandante militar que atualmente é um dos principais rivais de Netanyahu nas eleições, denunciou que o primeiro-ministro fugiu de suas responsabilidades e deu desculpas “patéticas” para as falhas na reação à incursão do Hamas, como dizer que não o acordaram cedo o suficiente na manhã do ataque.

“Netanyahu recebeu dezenas de avisos antes de 7 de outubro e ignorou todos. Ele é inapto”, publicou Eisenkot no X, antigo Twitter.

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O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett disse, por sua vez, que o líder do país “tem uma responsabilidade pessoal e direta” pelos 1.221 israelenses mortos naquele dia, o mais violento da história do Estado judaico, fundado em 1948. “Netanyahu não pode seguir no cargo nem por mais um minuto”, complementou.

O líder do partido Democratas, Yair Golan, também se manifestou nas redes sociais. “Netanyahu, você colocou Israel em perigo, você nos levou à catástrofe. As histórias de ‘ninguém me acordou’ acabaram. Você sabia, você ignorou, você falhou, a culpa é sua”.

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Mensagem de Gaza

De acordo com o Haaretz, o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, posteriormente assassinado por Israel durante a guerra, avisou um dirigente palestino sobre o ataque. O texto explica que as palavras usadas para descrever a incursão eram “uma tremenda operação”, um “terremoto”.

A mensagem chegou a um assessor emirate por meio do dirigente palestino, apurou o jornal israelense. Depois disso, o aviso teria sido encaminhado ao presidente Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Quando soube do plano, o líder político logo quis ligar para Netanyahu e explicar a situação, segundo o Haaretz.

Dias depois, o ataque em 7 de outubro de 2023 matou 1.200 pessoas em solo israelense, enquanto outras 251 foram levadas como reféns para a Faixa de Gaza, onde muitas permaneceram por quase 800 dias. De lá para cá, Israel conduziu operações implacáveis por céu e terra contra o enclave dominado pelo Hamas, com custo humano altíssimo à população civil.

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Mais de 73 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza; cerca de 80% de todas as construções e edifícios no território foram destruídos; e quase um ano após o cessar-fogo que encerrou os combates mais hostis, cerca de 67% da população local, o equivalente a mais de 1 milhão de pessoas, enfrenta graves níveis de fome e insegurança alimentar severa.

(Com informações da AFP)

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