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Netanyahu descarta criação de Estado palestino se for reeleito

Primeiro-ministro alegou ameaça terrorista para afastar abertamente a possibilidade de uma solução para o conflito israelo-palestino baseada em dois Estados

Por Da Redação - 16 mar 2015, 23h07

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descartou nesta segunda-feira a possibilidade de criação de um Estado palestino enquanto ele ocupar o cargo de premiê. “Quem quer que se movimente para estabelecer um Estado palestino ou tenha a intenção de se retirar do território está simplesmente concedendo território para que terroristas islâmicos radicais ataquem Israel”, disse, em entrevista ao site de notícias israelense NRG. Questionado se sua declaração significava que um Estado palestino não seria estabelecido se ele continuasse como primeiro-ministro, a resposta foi: “De fato”.

As declarações surgem na véspera de eleições que vão definir o futuro político de Netanyahu, ameaçado pelo fôlego demonstrado nas pesquisas pelo Campo Sionista, aliança de centro-esquerda liderada por Isaac Herzog.

Esta foi a primeira rejeição explícita de Netanyahu a uma solução para o conflito israelo-palestino apoiada em dois Estados desde que ele endossou a ideia pouco depois de iniciar seu segundo mandato, em 2009. Se ele conseguir um quarto mandato, uma posição frontalmente contrária à questão poderá ampliar as tensões com a administração Obama e países europeus já frustrados com a estagnação do processo de paz.

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Netanyahu construiu sua campanha com base unicamente na questão de segurança e agora faz uma última tentativa de angariar apoio de direitistas. Em Israel, centro, esquerda e direita não são conceitos relacionados à economia, e sim à posição favorável ou contrária ao processo de paz que culminaria na criação de um Estado palestino.

Herzog promete tentar retomar as conversas com a Autoridade Palestina, apesar de advertir que um acordo pode não ser possível. Ele tem destacado o isolamento internacional de Israel como uma ameaça à segurança, enquanto Netanyahu tenta desviar as atenções de questões socioeconômicas e focar nos desafios ligados à segurança, ressaltando que somente ele seria capaz de defender Israel.

Companheiro de chapa de Herzog, a centrista Tzipi Livni, integrou a coalizão de governo conservadora de Netanyahu e era responsável pelas negociações com a Autoridade Palestina até que as conversas chegaram a um impasse, em abril.

(Da redação)

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