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Netanyahu dá a antiga rival papel central em negociações com palestinos

Tzipi Livni foi chanceler entre 2006 e 2009 e liderou negociações inconclusivas com os palestinos. Seu partido conquistou seis cadeiras no Parlamento

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez o primeiro anúncio sobre seu novo governo nesta terça-feira. Mantido no poder depois das eleições realizadas no final de janeiro, ele terá como aliada a ex-chanceler Tzipi Livni, que durante muito tempo foi sua adversária política. Ela ficará responsável por conduzir os esforços para retomar as negociações de paz com os palestinos e também deverá assumir o Ministério da Justiça.

Em pronunciamento na TV, Netanyahu disse que a união com Livni, cujo partido de centro Hat’nua (O Movimento) conquistou seis cadeiras nas eleições, tem como objetivo proporcionar um “amplo e estável governo que una as pessoas”. O premiê ressaltou ainda a necessidade de enfrentar o que chamou de “enormes desafios” impostos pelo programa nuclear do Irã e pelos conflitos nos vizinhos árabes. O anúncio ocorre pouco antes da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prevista para março.

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A coligação do premiê, formada pelo Likud e pelos ultranacionalistas do Beitenu, não conseguiu mais do que 31 assentos – uma redução de 11 cadeiras em relação à composição anterior. Netanyahu tem até meados de março para formar uma ampla coalizão que garanta o controle do Parlamento, formado por 120 assentos.

Durante o período em que foi ministra das Relações Exteriores, de 2006 a 2009, ela comandou negociações inconclusivas com os palestinos, sob o governo do ex-premiê Ehud Olmert. Tzipi tem boas relações com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e defende uma linha mais moderada que Netanyahu sobre a questão. Durante a campanha para as eleições de janeiro, ela mostrou-se defensora de um processo de paz a partir do fim dos assentamentos de judeus nos territórios ocupados.

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A ex-ministra anunciou seu retorno à política no final de novembro, depois de quase sete meses de ausência, para disputar as eleições legislativas. Ela havia renunciado ao Parlamento depois de perder o comando do partido de oposição Kadima, em março do ano passado.

(Com agência Reuters)