Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Netanyahu admite possibilidade de derrota nas eleições

Em entrevista a um jornal local, o primeiro-ministro se apresentou como o fiador da segurança do país para conquistar os eleitores. Pesquisas indicam vitória de político rival

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, admitiu que pode perder as eleições legislativas da próxima a terça-feira e citou o perigo de “capitulação em todas as frentes” diplomáticas em caso de vitória do trabalhista Isaac Herzog [da União Sionista], em uma tentativa de mobilizar os eleitores. “Nossa segurança corre um grande perigo porque existe um risco real de derrota nas eleições”, declarou Netanyahu em uma entrevista ao jornal Jerusalem Post.

Netanyahu, que se apresenta como o fiador da segurança do país, advertiu que os rivais “capitularão em todas as frentes” e aceitarão, por exemplo, sair das fronteiras de 1967, dividir Jerusalém ou acabar com a oposição a um acordo nuclear com o Irã. Uma pesquisa divulgada pelo jornal Haaretz aponta 24 cadeiras para a União Sionista e 21 para Likud, das 120 no Parlamento. O premiê israelense tenta combater a crescente onda de apoio para seu principal adversário na eleição da próxima semana. As últimas pesquisas de opinião mostram uma tendência em favor da União Sionista, após semanas de disputa equilibrada com o Likud, de Netanyahu.

Leia também

EUA e Irã retomam negociação após alerta de Netanyahu

Obama: ‘Não há nada de novo’ no discurso de Netanyahu

Netanyahu: acordo nuclear põe o Irã mais perto da bomba

Se as previsões se confirmarem, tudo indica que o presidente de Israel, Reuven Rivlin, vai apontar Herzog, líder da União Sionista, para comandar o novo governo. “Se a diferença entre o Likud e o Trabalhista continuar a crescer, daqui a uma semana Herzog e Livni se tornarão os primeiros-ministros de Israel, se revezando no cargo, com o apoio dos partidos árabes”, disse Netanyahu ao jornal.

Pelo que foi acertado na aliança União Sionista, o trabalhista Herzog ocuparia o cargo de primeiro-ministro de Israel por dois anos e, em seguida, entregaria o posto à centrista Tzipi Livni, a mais proeminente mulher na política israelense, que cumpriria o restante do mandato de quatro anos de governo. Netanyahu declarou ao Jerusalem Post que um governo da União Sionista “iria causar uma mudança tão monumental na política que é um perigo, e quem quer impedir isso tem de votar no Likud para diminuir a diferença”.

O enfraquecimento do Likud nas pesquisas parece indicar que o inflamado discurso de Netanyahu no dia 3 no Congresso dos Estados Unidos contra um potencial acordo nuclear com o Irã teve pouco impacto sobre os eleitores israelenses, há muito tempo acostumados a tais advertências de um líder agora em seu terceiro mandato. Adversários de Netanyahu, apesar de reconhecerem o perigo de um Irã com armas nucleares, fizeram do alto custo de vida tema central de suas campanhas e alertaram para o isolamento diplomático por causa das políticas duras do país em relação aos palestinos.

(Da redação)