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Netanyahu admite não ter ‘margem de manobra’ para influenciar Trump sobre Irã, diz agência

Presidente dos EUA quer acordo para encerrar guerra cujos termos o israelense considera insuficientes, em especial sobre programa nuclear iraniano

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 Maio 2026, 09h52
Netanyahu admite não ter ‘margem de manobra’ para influenciar Trump sobre Irã, diz agência Priorize VEJA no Google

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confidenciou a pessoas próximas, em conversas privadas, que ele tem tido dificuldade de influenciar quaisquer decisões do presidente americano, Donald Trump, sobre o Irã. As informações foram reveladas pela agência de notícias Reuters nesta segunda-feira, 25, enquanto negociadores iranianos e dos Estados Unidos discutem um acordo para encerrar a guerra que já dura quase três meses — tratativas das quais Tel Aviv foi amplamente escanteada.

Funcionários do governo israelense afirmaram à Reuters disse que o líder israelense expressou preocupações sobre o memorando de entendimento que está sendo negociado atualmente. O documento, elaborado por meio da mediação do Paquistão, prevê que o Irã reabra o Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio naval americano contra portos iranianos, e estabelece um cronograma para novas tratativas sobre o programa nuclear iraniano. Teerã fez acenos para a possibilidade de diluir seu estoque de urânio sob supervisão das Nações Unidas, evitando que continue a ser enriquecido para fabricar armas atômicas.

Para o governo israelense, o arranjo é insuficiente, uma vez que gostaria de ver o programa nuclear de seu arqui-inimigo completamente desmantelado. Apesar disso, segundo fontes ouvidas pela Reuters, Netanyahu reconhece que “não tem margem de manobra para influenciar o presidente (Trump) neste momento”.

Os líderes de Israel e dos Estados Unidos conversaram por telefone pelo menos três vezes na última semana, período durante o qual autoridades israelenses disseram que o país se preparou para retomar os ataques aéreos conjuntos contra o Irã, visando sua infraestrutura energética. Trump, no entanto, ordenou a suspensão dos novos bombardeios e declarou que Netanyahu “fará tudo o que eu quiser”. De acordo com apuração da CNN, as conversas expuseram de maneira inconteste as divergências entre os dois em relação ao que pensam sobre o futuro do conflito.

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Líbano e momento delicado

Em um dos telefonemas, que veio depois do ocupante do Salão Oval ter realizado uma ligação conjunta com líderes do Golfo, Turquia e Paquistão, Netanyahu disse que ele e Trump “concordaram que qualquer acordo final significa desmantelar os locais de enriquecimento nuclear do Irã e remover seu material nuclear enriquecido de seu território”. O premiê também disse que o americano “reafirmou o direito de Israel de se defender contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

As forças israelenses e a milícia libanesa Hezbollah, aliada do Irã, continuaram lutando apesar do cessar-fogo de 16 de abril, firmado pouco depois que os Estados Unidos e o Irã concordaram com uma trégua mais ampla. Soldados de Israel permanecem posicionados em uma faixa do sul do Líbano e há ataques aéreos quase diários contra o país vizinho, enquanto os combatentes xiitas dispararam drones contra militares e cidades no israelense.

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A exigência de Netanyahu de continuar as operações contra as ameaças em “todas as frentes” pode inviabilizar um acordo se o Irã insistir que o Líbano deve ser incluído no memorando de entendimento. Caso haja um acordo, por outro lado, ele viria em um momento delicado para o premiê israelense, às vésperas de uma eleição nacional que deve perder. Seus oponentes o criticam por não ter alcançado seus objetivos declarados na guerra ao Irã.

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