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‘Nepobaby vingativo e esquerdista decrépito’: o que jornais lá fora falam sobre eleição no Brasil

Imprensa internacional analisa com ceticismo a disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro e adverte para riscos do pleito à democracia, economia e clima

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 out 2026, 17h15 | Atualizado em 1 out 2026, 17h24
‘Nepobaby vingativo e esquerdista decrépito’: o que jornais lá fora falam sobre eleição no Brasil Priorize VEJA no Google

A poucos dias das eleições no Brasil, que têm no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e no senador Flávio Bolsonaro (PL) seus protagonistas, o olhar da imprensa internacional sobre a disputa ganhou tons severos e dramáticos. A síntese mais ácida dessa cobertura veio da tradicional revista britânica The Economist, que publicou uma análise sob a provocativa manchete: “O próximo presidente do Brasil será um nepobaby vingativo ou um esquerdista decrépito”.

A publicação definiu o pleito como um “concurso de impopularidade” em que a “decepção é garantida”, descrevendo Lula como um líder idoso comparável ao ex-presidente americano Joe Biden e criticado pela indisciplina fiscal, enquanto retrata Flávio como um herdeiro político cuja principal plataforma é indultar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Estátua do Cristo Redentor com as mãos cobrindo os olhos, em um gesto de desespero ou vergonha, contra um céu azul claro
Manchete da revista britânica ‘The Economist’: ‘O próximo presidente do Brasil será um nepobaby vingativo ou um esquerdista decrépito’. – (The Economist/Reprodução)

“Nenhum dos dois é credível quando se trata de enfrentar os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção enraizada e a expansão implacável dos gastos públicos”, diagnosticou a revista em outra matéria, intitulada “O Brasil dá as costas ao futuro”. “O futuro reluzente do Brasil ficará suspenso por pelo menos mais quatro anos”, completou o texto.

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Risco de ‘involução democrática’

Essa visão cética sobre o futuro político e econômico do país é compartilhada por outros veículos europeus. O jornal britânico The Guardian destacou em editorial que a escolha dos eleitores brasileiros “afetará o mundo inteiro”, alertando que uma vitória do senador do PL representaria um grave risco para a democracia e para o meio ambiente na Amazônia, além de dar mais fôlego à postura intervencionista de Donald Trump na América Latina.

“O presidente Donald Trump e Marco Rubio, seu secretário de Estado, ficarão ainda mais encorajados em sua ‘doutrina Donroe’ de intervenção agressiva no hemisfério ocidental se o Bolsonaro Jr. for vitorioso”, analisou o editorial.

Na Espanha, a análise do El País ganhou contornos de alerta institucional detalhado sob o título “Brasil, perigo de involução”. O jornal enfatiza que as urnas brasileiras decidirão se a nação continuará avançando como uma potência democrática e regional ou se corre o risco de cair novamente no autoritarismo, exatamente quatro anos após os atentados de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes.

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Um vendedor de cocos sentado em sua barraca na praia, com um cartaz vermelho de Lula pendurado, e o Pão de Açúcar ao fundo
Em editorial, jornal espanhol ‘El País’ alerta para ‘perigo de involução democrática’ com possível eleição de Flávio Bolsonaro. – (El País/Reprodução)

Segundo o diário espanhol, embora o senador se apresente como uma versão mais moderada do pai, sua plataforma é inseparável do clã familiar, destacando, aqui também, a promessa de indultar Jair Bolsonaro. O texto alerta que um triunfo do bolsonarismo sabotaria o papel do Brasil como contrapeso diplomático frente à renovada doutrina de “quintal dos fundos” impulsionada por Washington.

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‘Três Brasis’

Paralelamente, veículos do continente enfatizam como o escândalo financeiro do Banco Master enredou a classe política e o Judiciário brasileiro, reforçando o desencanto e o cinismo do eleitorado diante dos candidatos. Nos Estados Unidos, o foco das atenções recai sobre a geopolítica e a ingerência externa.

O jornal The New York Times dedicou uma extensa reportagem ao chamado “Fator Trump”, questionando se o presidente americano tentará influenciar o acirrado pleito brasileiro em favor de Flávio e detalhando como as autoridades em Brasília ergueram uma “barreira de proteção” para combater a desinformação e proteger as urnas eletrônicas de ingerências internacionais.

Multidão de pessoas vestindo verde e amarelo em uma rua, com bandeiras do Brasil. Um boneco inflável gigante de Donald Trump, de terno e gravata vermelha, é erguido no centro da imagem. Ao fundo, prédios e veículos.
NYT: ‘A grande questão que paira sobre as eleições no Brasil: a próxima jogada do presidente Trump’. – (The New York Times/Reprodução)
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Aprofundando a radiografia política brasileira, o jornal argentino Clarín destrinchou a disputa sob o conceito dos “três Brasis”: Lula lidera em 10 estados (todo o Nordeste e Amapá), Flávio Bolsonaro predomina em 8 estados (incluindo Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e o Centro-Oeste) e outros 9 estados aparecem empatados na margem de erro, entre eles os cobiçados colégios de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Diante da apatia nas ruas — onde os eleitores recorrem ao “voto cruzado” para optar por quem rejeitam menos —, a matéria destaca que a chave da eleição está nos independentes e indecisos, que somam entre 24% e 36% do eleitorado em estados estratégicos.

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