Nepal prevê custo bilionário de reconstrução e pede ajuda internacional após enchentes fatais
País terá que se adaptar a ambiente montanhoso em rápida transformação, segundo autoridades
Esforços de reconstrução após as devastadoras enchentes do mês passado, causadas pelo colapso de uma geleira no Himalaia, custarão aproximadamente US$ 4,78 bilhões (R$ 24,4 bilhões), informou o Ministério das Relações Exteriores do Nepal nesta sexta-feira, 11.
A avalanche de água, lama e detritos, semelhante a um tsunami, atingiu a fronteira entre Nepal e Tibete, território autônomo da China, em 26 de agosto e deixou pelo menos 1. 399 mortos. O paradeiro de mais de 5. 500 pessoas é desconhecido, incluindo quase 800 estrangeiros que viajaram para fazer trilhas no Himalaia, assim como peregrinos hindus em uma jornada espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete.
+ Calor sem precedentes antecedeu colapso de geleira que provocou enchentes fatais no Nepal
“O total estimado para a reconstrução é de aproximadamente US$ 4,78 bilhões”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, Lok Bahadur Chhetri, a jornalistas.
Desse montante, cerca de US$ 57,7 milhões (R$ 295 milhões) serão necessários para os esforços de recuperação e reconstrução a curto prazo nos próximos seis meses, enquanto aproximadamente US$ 4,71 bilhões (R$ 24 bilhões) serão destinados à reconstrução a longo prazo, afirmou.
As autoridades nepalesas afirmam que o país precisa de apoio internacional contínuo para se adaptar a um ambiente montanhoso em rápida transformação.
O Nepal, um país predominantemente rural com cerca de 30 milhões de habitantes, contribui com uma fração mínima das emissões globais de gases de efeito estufa em comparação com as nações industrializadas.
O primeiro-ministro, Balendra Shah, declarou anteriormente que o Nepal deve relatar “com firmeza” à comunidade internacional os desastres que o país sofreu em decorrência da mudança climática.
Calor sem precedentes
O colapso de uma geleira no Himalaia, que desencadeou as inundações repentinas e fatais, ocorreu após um período de calor excepcional na região. Uma recente análise de dados meteorológicos indica que a área atingiu temperaturas sem precedentes para o fim de agosto, levantando novas hipóteses sobre a possível influência das mudanças climáticas no desastre.
Segundo dados reconstituídos por Robert Rohde, cientista-chefe da organização independente Berkeley Earth, com sede na Califórnia, a temperatura média no local ficou próxima de 5°C entre 21 e 26 de agosto. Em mais de 55 anos de registros, a região não havia ultrapassado os 4°C durante esse mesmo período do ano. A reconstrução foi feita a partir do modelo climático ERA5, do observatório europeu Copernicus, e de informações de 14 estações meteorológicas instaladas em áreas de grande altitude.
A temperatura média registrada nesses seis dias foi cerca de 1,8°C superior à observada em meados do século XX. A avalanche também ocorreu durante o quarto verão mais quente já registrado na região de Langtang desde o início da série de dados do Copernicus, em 1970.
Sem o calor adicional provocado pelas mudanças climáticas, um padrão de temperaturas comparável “provavelmente só ocorreria uma vez a cada milhares de anos”, afirmou Rohde à agência de notícias AFP.
O resultado foi um enorme deslizamento de terra que liberou 200 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo, volume de detritos suficiente para encher cerca de 100 estádios de futebol. Ao despencar em alta velocidade, essa massa transformou-se em um tsunami de água, rocha e sedimentos, matando as milhares de pessoas que estavam em seu caminho.





