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Nepal prevê custo bilionário de reconstrução e pede ajuda internacional após enchentes fatais

País terá que se adaptar a ambiente montanhoso em rápida transformação, segundo autoridades

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 set 2026, 09h39 | Atualizado em 11 set 2026, 09h58
Nepal prevê custo bilionário de reconstrução e pede ajuda internacional após enchentes fatais Priorize VEJA no Google

Esforços de reconstrução após as devastadoras enchentes do mês passado, causadas pelo colapso de uma geleira no Himalaia, custarão aproximadamente US$ 4,78 bilhões (R$ 24,4 bilhões), informou o Ministério das Relações Exteriores do Nepal nesta sexta-feira, 11.

A avalanche de água, lama e detritos, semelhante a um tsunami, atingiu a fronteira entre Nepal e Tibete, território autônomo da China, em 26 de agosto e deixou pelo menos 1. 399 mortos. O paradeiro de mais de 5. 500 pessoas é desconhecido, incluindo quase 800 estrangeiros que viajaram para fazer trilhas no Himalaia, assim como peregrinos hindus em uma jornada espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete.

+ Calor sem precedentes antecedeu colapso de geleira que provocou enchentes fatais no Nepal

“O total estimado para a reconstrução é de aproximadamente US$ 4,78 bilhões”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, Lok Bahadur Chhetri, a jornalistas.

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Desse montante, cerca de US$ 57,7 milhões (R$ 295 milhões) serão necessários para os esforços de recuperação e reconstrução a curto prazo nos próximos seis meses, enquanto aproximadamente US$ 4,71 bilhões (R$ 24 bilhões) serão destinados à reconstrução a longo prazo, afirmou.

As autoridades nepalesas afirmam que o país precisa de apoio internacional contínuo para se adaptar a um ambiente montanhoso em rápida transformação.

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O Nepal, um país predominantemente rural com cerca de 30 milhões de habitantes, contribui com uma fração mínima das emissões globais de gases de efeito estufa em comparação com as nações industrializadas.

O primeiro-ministro, Balendra Shah, declarou anteriormente que o Nepal deve relatar “com firmeza” à comunidade internacional os desastres que o país sofreu em decorrência da mudança climática.

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Calor sem precedentes

O colapso de uma geleira no Himalaia, que desencadeou as inundações repentinas e fatais, ocorreu após um período de calor excepcional na região. Uma recente análise de dados meteorológicos indica que a área atingiu temperaturas sem precedentes para o fim de agosto, levantando novas hipóteses sobre a possível influência das mudanças climáticas no desastre.

Segundo dados reconstituídos por Robert Rohde, cientista-chefe da organização independente Berkeley Earth, com sede na Califórnia, a temperatura média no local ficou próxima de 5°C entre 21 e 26 de agosto. Em mais de 55 anos de registros, a região não havia ultrapassado os 4°C durante esse mesmo período do ano. A reconstrução foi feita a partir do modelo climático ERA5, do observatório europeu Copernicus, e de informações de 14 estações meteorológicas instaladas em áreas de grande altitude.

A temperatura média registrada nesses seis dias foi cerca de 1,8°C superior à observada em meados do século XX. A avalanche também ocorreu durante o quarto verão mais quente já registrado na região de Langtang desde o início da série de dados do Copernicus, em 1970.

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Sem o calor adicional provocado pelas mudanças climáticas, um padrão de temperaturas comparável “provavelmente só ocorreria uma vez a cada milhares de anos”, afirmou Rohde à agência de notícias AFP.

O resultado foi um enorme deslizamento de terra que liberou 200 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo, volume de detritos suficiente para encher cerca de 100 estádios de futebol. Ao despencar em alta velocidade, essa massa transformou-se em um tsunami de água, rocha e sedimentos, matando as milhares de pessoas que estavam em seu caminho.

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