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Negócios e política, uma combinação ruim para a Fórmula 1

Por Por Daniel Ortelli 21 abr 2012, 13h47

Em seus 62 anos de história, a Fórmula 1 não hesitou em viajar por razões comerciais a países com uma situação política muito grave, pior, inclusive, do que a do Bahrein, onde neste final de semana é disputado um Grande Prêmio, uma combinação nem sempre cômoda de negócios, política e esporte.

Há vários dias, ao redor da capital, Manama, há manifestações reprimidas com mais ou menos violência dependendo da hora do dia, denuncia a oposição xiita ao regime em vigor, embora o Grande Prêmio siga previsto para domingo no circuito de Sakhir.

As mensagens da oposição xiita ao poder sunita e as imagens da rede de televisão estrangeira dão uma ideia da situação, com manifestações pacíficas durante o dia, onde jovens com camisas da Ferrari e mulheres com véus leves escondem seus sorrisos atrás de cartazes contra o regime.

Também ocorrem manifestações de mulheres com véu negro, como as de sexta-feira, favoráveis à oposição xiita e que têm o apoio explícito do Irã.

Ou incidentes mais violentos ocorreram durante a noite, entre jovens manifestantes encapuzados que queimaram pneus e as forças antidistúrbios, sem a presença de jornalistas.

Neste sábado a situação se agravou com o anúncio da oposição da descoberta do corpo de um homem no local de uma manifestação noturna contra o regime, em um povoado xiita perto de Manama, a capital.

A tensão no país dura mais de um ano e o Grande Prêmio deste fim de semana pode ser o detonador de novos incidentes. As manifestações convocadas pela oposição xiita pedem reformas constitucionais neste reino dirigido por uma dinastia sunita e obrigaram a reforçar a segurança do circuito de Sakhir.

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A oposição exige reformas constitucionais neste pequeno reino do Golfo governado por uma dinastia sunita e cuja maioria xiita se queixa de discriminação.

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) havia resolvido a polêmica após várias semanas de dúvidas e anunciou que o Grande Prêmio seria realizado, apesar da situação tensa.

No passado, a Fórmula 1 não hesitou em levar seu “circo” por razões puramente comerciais a países como a Argentina de Jorge Videla, a África do Sul do Apartheid ou a China atual, sem levar em conta a situação dos direitos humanos.

Na Argentina foi disputado um Grande Prêmio de Fórmula 1 em plena ditadura de Videla, que acaba de admitir em um livro que foi o responsável pelo desaparecimento de “7.000 ou 8.000 pessoas” durante seu regime militar entre 1976 e 1981.

Até 1985, o circuito de Kyalami, na África do Sul, em plena segregação racial, foi uma das etapas do Mundial de Fórmula 1, na mesma época em que Nelson Mandela estava na prisão.

Neste mesmo ano ocorreram intensas discussões dentro da Associação de Pilotos de Grandes Prêmios (GPDA) sobre se deveriam ou não boicotar a corrida, depois que duas escuderias francesas, Renault e Ligier, decidiram não participar a pedido do governo do país.

Desde 2004 também é organizado todos os anos na China, no circuito de Xangai, um Grande Prêmio, em um país importante para a indústria automobilística europeia, sem levar em consideração a situação dos direitos humanos na região do Tibete denunciada por várias organizações não governamentais.

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