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Naufrágio do Concordia teve briga por coletes e botes

Sobreviventes relatam cenas de pânico comparáveis às do filme Titanic

Por Da Redação 15 jan 2012, 15h09

Testemunhas do naufrágio do navio Costa Concordia diante da Ilha de Giglio, na Itália, descreveram cenas de pânico comparáveis às da catástrofe do Titanic, com mães disputando coletes salva-vidas e a briga para entrar em botes salva-vidas. Na noite de sexta-feira, a embarcação encalhou e virou a poucos metros da praia de uma ilha italiana na Toscana, depois da abertura de um buraco de 70 metros no casco, causado por um choque do navio com uma rocha. Cinco pessoas morreram, 40 ficaram feridas e há 15 desaparecidas.

Galeria: veja as imagens do naufrágio do transatlântico na Itália

“Quebramos uma vidraça no corredor e pegamos coletes salva-vidas. Como não havia muitos, as pessoas brigavam e os tiravam umas das outras”, contou aos jornais italianos Antonietta Simboli, natural de Latina, perto de Roma.

Um casal de Avellino, Pino e Rossella Pannese, contou que pegou o filho nos braços e “o primeiro colete que viram”. “No momento, você não questiona, pensa apenas que pode morrer”, confiou.

Pânico – Um outro passageiro descreveu o pânico que invadiu os passageiros quando o transatlântico bateu numa rocha às 21h30 (18h30 de Brasília). A eletricidade foi cortada em seguida e o navio começou a afundar. “Mesmo a tripulação, que contava com muitos estrangeiros, não sabia o que fazer”, informou Yuri Selvaggi.

“Foi um momento caótico, todos empurravam, tentavam passar por cima das pessoas para encontrar uma boia”, declarou Amanda Warrick, ao canal de televisão americano CNN, que viajava no Concordia junto com o irmão Brandon.

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Botes – Em seguida, os passageiros se precipitaram para os pontos de embarque nos botes. “Quando conseguimos finalmente subir num escaler, rompeu a corda que o prendia ao navio. Nós nos apoiávamos na borda firmemente até chegarmos bruscamente à água”, contou Yuri Selvaggi.

Segundo um outro passageiro italiano, o caos era total. “Quando o navio começou a adernar, fomos projetados para frente, para trás e para os lados, muitos ficaram feridos. Saímos, então, à procura de botes salva-vidas”. Segundo esse passageiro, foi preciso mais de uma hora para deixar o barco.

Vários passageiros se atiraram ao mar, em desespero. Os tripulantes também saltaram na água “para tentar salvar os que não sabiam nadar”, contaram. Testemunhas viram o pianista do restaurante mergulhar de repente, sendo que tocava há apenas alguns minutos.

Luxo – O navio de cruzeiro Concordia, cujo comprimento equivalia a três campos de futebol, era conhecido como um templo dedicado à diversão e ao bem estar. Como o Titanic em sua época, o Concordia era o maior navio já construído na Itália, com 290 metros de comprimento por 38 de largura. O gigante dos mares contava com 17 andares, 1.068 tripulantes, podendo acolher até 3.780 viajantes, que se alojavam em 1.500 cabines, entre elas 505 com varanda privativa, às quais se somavam 70 suítes luxuosas.

Mas era sobretudo por seus serviços de luxo que o Concordia se distinguia desde o começo: cinco jacuzzis, quatro piscinas entre elas duas com teto de vidro removível, campo de esporte para múltiplas atividades, trilha para jogging ao ar livre… E a cereja do bolo – o Samsara Spa, apresentado oficialmente como o maior centro de tratamento para ficar em forma a bordo, com 6.000 metros quadrados em dois andares. Os que queriam mais emoção podiam ainda se refugiar no simulador de automóvel “Grand Prix” ou assistir a um filme na tela gigante instalada no convés perto da piscina.

No entanto, nos meios supersticiosos dos marinheiros italianos, este palácio flutuante tinha a reputação de ser “maldito”. Seu batismo foi realizado em 2006 numa atmosfera de mau augúrio: a garrafa de champagne lançada em direção a seu casco não quebrou.

(Com agência France-Presse)

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