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Nas redes sociais, assombrosas mensagens de apoio ao terror

Muitos publicaram posts apoiando o que viram como uma ‘vingança’ contra a revista satírica que publicou charges com o profeta Maomé

As redes sociais foram assombrosamente inundadas de comentários apoiando a ação terrorista que nesta quarta-feira deixou doze mortos e cinco feridos graves na sede da revista satírica ‘Charlie Hebdo’, em Paris

“Esta é a primeira reação. Vocês não vão viver em segurança novamente”, escreveu um usuário no Twitter. Outra mensagem considerou o atentado uma “prova que o Estado Islâmico pode atingir profundamente a Europa quando quiser”. Outro post mostrou a bandeira preta do grupo terrorista sobre a Torre Eiffel, com uma frase em francês: “Nós estamos por toda parte”. De acordo com o jornal britânico The Guardian, hashtags em árabe citavam “nossa vingança pelo profeta”, ou “Paris sob fogo”.

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Abu Mussab, sírio que faz parte do grupo Estado Islâmico, elogiou o ataque. “Os leões do Islã vingaram o nosso profeta. Esses são os nossos leões. Foram as primeiras gotas, e mais virão”, disse à agência de notícias Reuters.

Nenhum grupo terrorista assumiu a responsabilidade pelo atentado até o momento. Mussab disse que não conhece os homens que abriram fogo contra os profissionais da revista e também mataram policiais, mas acrescentou que “eles estão no caminho do emir e de nosso xeque Osama (bin Laden)”. O emir citado pelo combatente é o chefe do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi.

Condenação – As vozes oficiais muçulmanas, contudo, se apressaram em condenar o atentado.

A União das Organizações Islâmicas da França, que representa mais de 250 organizações muçulmanas, divulgou um comunicado. “Mortes tão abjetas e injustas como estas não podem ser associadas nem de longe ao Islã ou aos muçulmanos. O ataque a um jornal é um ataque contra a liberdade, contra nossa democracia. É um ato inqualificável e inadmissível”.

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O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha também se manifestou contra a ação terrorista. “Seja qual foi a causa, nada justifica tirar vidas”.

A Arábia Saudita chamou o atentado de “ataque terrorista covarde rejeitado pela verdadeira religião islâmica”. As condenações vieram também da Liga Árabe e da universidade egípcia al-Azhar, uma das principais instituições teológicas no mundo muçulmano sunita, informou o Guardian. O Irã, a Jordânia, o Bahrein, o Marrocos, a Argélia e o Catar se manifestaram de maneira semelhante.