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Nacionalistas hindus fazem campanha contra o Taj Mahal na Índia

Líderes e políticos fundamentalistas defendem que o monumento ‘não reflete a cultura indiana’

Por Da redação 30 out 2017, 18h03

Taj Mahal, uma das sete maravilhas do mundo moderno, está causando controvérsia na Índia. Grupos religiosos nacionalistas hindus travam uma campanha contra o centenário mausoléu, que segundo alguns de seus críticos foi construído por um muçulmano “traidor” e não representa a cultura indiana.

No início deste mês, o governo do Estado de Uttar Pradesh, onde está localizado o monumento, publicou um guia de turismo da região em que cita os principais pontos a serem visitados, porém sem mencionar o Taj Mahal – uma das principais atrações turísticas não apenas da Índia, mas do mundo. Logo, ficou claro que o governo regional vem tocando uma agenda interna que pretende ofuscar a importância do mausoléu.

Uttar Pradesh, assim como o Estado de Nova Deli, é governado pelo nacionalista Partido do Povo Indiano. O governador, Yogi Adityanath, é muito conhecido por suas posições políticas extremas e anti-muçulmanas. Ele deu início à campanha contra o Taj Mahal em junho, quando disse que estava contente que dignitários e representantes internacionais não recebiam mais uma miniatura do monumento de presente quando visitavam o país, já que ele não “refletia a cultura indiana”.

O líder estadual do partido, Sangeet Som, também causou controvérsia ao dizer que o monumento era uma “mancha” na cultura indiana e que foi “construído por traidores”. “O Taj Mahal não deveria ter lugar na história da Índia”, disse, afirmando que Shah Jahan, o imperador que construiu o mausoléu em homenagem a sua falecida esposa, “queria acabar com os hindus”. “Se essas pessoas fazem parte da nossa história, então é muito triste e mudaremos a história”, acrescentou.

O ressentimento pelo monumento mais famoso do país de maioria hindu ter sido construído por um imperador muçulmano sempre existiu. Porém, está crescendo cada vez mais desde que o primeiro-ministro Narendra Modi, também membro do Partido do Povo Indiano, assumiu o poder.

A polêmica foi alimentada por um historiador local, PN Oak, que ganhou notoriedade entre os fundamentalistas hindus. Ele difundiu uma série de crenças falsas, como a de que o mundo já foi governado por um império hindu, que a língua inglesa é um dialeto derivado do sânscrito, uma língua ancestral indiana, e que a Abadia de Westminster é, na verdade, um templo dedicado à deusa Shiva.

Suas teorias foram citadas por vários legisladores Partido do Povo para colocar em dúvida a verdadeira proveniência do monumento e seguem angariando seguidores. Na semana passada, diversos estudantes foram presos no Taj Mahal por fazer orações e ritos dedicados à Shiva no local.

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