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Nacionalistas hindus fazem campanha contra o Taj Mahal na Índia

Líderes e políticos fundamentalistas defendem que o monumento ‘não reflete a cultura indiana’

Taj Mahal, uma das sete maravilhas do mundo moderno, está causando controvérsia na Índia. Grupos religiosos nacionalistas hindus travam uma campanha contra o centenário mausoléu, que segundo alguns de seus críticos foi construído por um muçulmano “traidor” e não representa a cultura indiana.

No início deste mês, o governo do Estado de Uttar Pradesh, onde está localizado o monumento, publicou um guia de turismo da região em que cita os principais pontos a serem visitados, porém sem mencionar o Taj Mahal – uma das principais atrações turísticas não apenas da Índia, mas do mundo. Logo, ficou claro que o governo regional vem tocando uma agenda interna que pretende ofuscar a importância do mausoléu.

Uttar Pradesh, assim como o Estado de Nova Deli, é governado pelo nacionalista Partido do Povo Indiano. O governador, Yogi Adityanath, é muito conhecido por suas posições políticas extremas e anti-muçulmanas. Ele deu início à campanha contra o Taj Mahal em junho, quando disse que estava contente que dignitários e representantes internacionais não recebiam mais uma miniatura do monumento de presente quando visitavam o país, já que ele não “refletia a cultura indiana”.

O líder estadual do partido, Sangeet Som, também causou controvérsia ao dizer que o monumento era uma “mancha” na cultura indiana e que foi “construído por traidores”. “O Taj Mahal não deveria ter lugar na história da Índia”, disse, afirmando que Shah Jahan, o imperador que construiu o mausoléu em homenagem a sua falecida esposa, “queria acabar com os hindus”. “Se essas pessoas fazem parte da nossa história, então é muito triste e mudaremos a história”, acrescentou.

O ressentimento pelo monumento mais famoso do país de maioria hindu ter sido construído por um imperador muçulmano sempre existiu. Porém, está crescendo cada vez mais desde que o primeiro-ministro Narendra Modi, também membro do Partido do Povo Indiano, assumiu o poder.

A polêmica foi alimentada por um historiador local, PN Oak, que ganhou notoriedade entre os fundamentalistas hindus. Ele difundiu uma série de crenças falsas, como a de que o mundo já foi governado por um império hindu, que a língua inglesa é um dialeto derivado do sânscrito, uma língua ancestral indiana, e que a Abadia de Westminster é, na verdade, um templo dedicado à deusa Shiva.

Suas teorias foram citadas por vários legisladores Partido do Povo para colocar em dúvida a verdadeira proveniência do monumento e seguem angariando seguidores. Na semana passada, diversos estudantes foram presos no Taj Mahal por fazer orações e ritos dedicados à Shiva no local.