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Na volta à Indonésia, Obama diz que o país é um modelo

Depois de 39 anos, o presidente americano visita país e elogia Islã moderado

“Embora meu padrasto tenha sido educado como um muçulmano, ele acreditava fortemente, como a maioria dos indonésios, que todas as religiões devem ser respeitadas”

Barack Obama, em Jacarta

O presidente americano Barack Obama apontou nesta quarta-feira a Indonésia, país com o maior número de muçulmanos no mundo, como um modelo de tolerância religiosa e democratização. De acordo com o presidente, que viveu no país durante a infância, a Indonésia “tem um importante papel a desempenhar no século XXI”. Sempre sorridente, Obama não parou de manifestar sua alegria por estar de novo no país, 39 anos depois de ir embora, para voltar aos Estados Unidos. “A Indonésia faz parte de mim”, afirmou em Jacarta, misturando inglês e indonésio, idioma que aprendeu a falar durante os quatro anos que passou na capital do país.

Obama ainda lamentou que a Indonésia, quarto país mais populoso do mundo, seja tão pouco conhecida no exterior – disse que as pessoas só sabem das ilhas de Bali e Java. O imenso arquipélago, que estabilizou sua democracia em 1990, deveria ser “uma fonte de inspiração” para o mundo, segundo o presidente americano. “Embora o país da minha infância tenha mudado muito, o espírito de tolerância que está gravado na Constituição e simbolizado por suas mesquitas, igrejas e templos perdura”, elogiou, ao discursar para 6.000 pessoas numa universidade. “É por isso que a Indonésia desempenhará um papel tão importante ao longo do século XXI”.

Mais de 90% dos 240 milhões de indonésios são muçulmanos. A maioria pratica um islã moderado, mas algumas organizações radicais defendem a instauração da sharia, a lei islâmica – algumas, através da violência. Obama citou o exemplo de seu padrasto, com quem sua mãe se casou depois de separar-se de seu pai, nascido no Quênia. “Embora meu padrasto tenha sido educado como um muçulmano, ele acreditava fortemente, como a maioria dos indonésios, que todas as religiões devem ser respeitadas”, afirmou. Acompanhado pela mulher Michelle – que durante toda a viagem usou um véu -, Obama visitou a mesquita de Istiqlal, no centro de Jacarta.

Sua visita foi celebrada pelas autoridades religiosas da Indonésia. “Estou orgulhoso que ele tenha vindo. Vários jovens indonésios veem os Estados Unidos como um inimigo. Esta visita deve permitir que eles mudem de opinião”, estimou Horizi Achmad Mawardi, de 53 anos, professor de teologia. Obama afirmou que a luta contra o extremismo não é “responsabilidade exclusiva dos Estados Unidos”. “Aqueles que quiserem construir não devem ceder frente aos terroristas que querem destruir”, disse, ao falar da Al-Qaeda. Depois de passar por Índia e Indonésia, Obama chegou nesta quarta-feira à Coreia do Sul para participar da cúpula do G20. Depois, vai ao Japão.

(Com agência France-Presse)