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Na Venezuela, até o presente de Natal é limitado

Governo restringe venda de bicicletas a uma unidade. Quem quiser comprar mais terá, de apresentar a certidão de nascimento do presenteado

Por Da Redação - 28 nov 2014, 21h54

Os graves problemas econômicos da Venezuela entristecem mais uma vez o Natal da população. O governo restringiu a venda de bicicletas a uma unidade por comprador, como indicou o presidente da Câmara Venezuelana da Indústria de Bicicletas, Julio Peña. Em entrevista a uma emissora estatal, nesta sexta-feira, ele disse que quem quiser comprar mais de uma unidade, terá de apresentar a certidão de nascimento do filho.

“Tem gente que diz que tem três ou quatro filhos (…) traga sua certidão, o pessoal da loja verifica que os filhos são seus e vendem o produto”, disse à VTV. Peña fez ainda um pedido para que os consumidores comprem apenas o que necessitem, para garantir o abastecimento para o Natal e impedir a ação de especuladores.

“Fazemos um chamado para que as pessoas comprem o que precisam, que não comprem dez, que não comprem quinze, que não comprem cinco. Se você precisa de uma bicicleta, compre uma”.

Artigo Project Syndicate: A Venezuela deve dar calote?

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Esta é apenas mais uma de muitas medidas tomadas pelo governo de Nicolás Maduro para controlar a vida dos venezuelanos. Em agosto foi anunciado um sistema biométrico para controlar a quantidade de produtos básicos que cada venezuelano compra nos supermercados, em mais uma tentativa de conter a crise de desabastecimento.

Agora às vésperas do fim do ano entra em vigor a exigência de que estabelecimentos comerciais exponham de forma visível o “preço de venda justo” de produtos e serviços oferecidos. O discurso oficial é que a medida pretende evitar remarcações. Na verdade, trata-se de mais um estratagema bolivariano para ditar o valor de tudo e prender empresários.

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Black Friday – Ironicamente, a operação de fiscalização do comércio, que inclui até oficiais das Forças Armadas, foi chamada de ‘Plano Natal Feliz 2014’. Resta ao povo tentar manter o humor, como fez nesta sexta-feira, dia de descontos em vários países do mundo, inclusive no Brasil.

Na Venezuelana, no entanto, o que se viu foram ironias relacionadas à data nas redes sociais. Um post no Twitter lembrou que todos os dias na Venezuela são como a Black Friday, “não pelos descontos, mas pelas filas” resultantes da escassez de produtos. E ainda maiores com a reedição da ordem para baixar os preços dos eletrodomésticos.

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No ano passado, a determinação ocorreu pouco antes das eleições municipais na qual o partido governista enfrentou uma dura batalha com a oposição. No cenário atual, o pacote de medidas paliativas tenta contornar outro problema: a baixa popularidade de Maduro.

Assim como são insuficientes para reverter o caos econômico, as iniciativas também podem não surtir efeito na aprovação do governo, que enfrentou uma onda de protestos este ano. “Você não pode dizer que está comprando barato graças ao governo, porque este desastre está acontecendo graças ao governo”, disse à agência Reuters Iván Martínez, engenheiro de 25 anos que procurava uma geladeira para comprar.

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