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Na Rússia, Kim Jong-Il se diz preparado para suspender testes nucleares

Por Por Maria ANTONOVA - 24 ago 2011, 13h13

O líder norte-coreano, Kim Jong-il, disse nesta quarta-feira durante uma reunião com o presidente russo Dmitri Medvedev, que está preparado para suspender os testes nucleares se houver a retomada das negociações sobre o programa nuclear de Pyongyang.

As negociações do programa entre os seis países (as duas Coreias, Rússia, China, Estados Unidos e Japão), estão estagnadas desde dezembro de 2008.

“Sem condições prévias no quadro das negociações, os coreanos do norte estarão prontos para resolver o problema, introduzindo uma moratória sobre os testes e a produção de combustível nuclear”, afirmou a porta-voz de Medvedev, Natalia Timakova.

Pyongyang pediu que as negociações entre os seis fossem retomadas “sem condições prévias”, mas a Coréia do Sul insiste que seu vizinho deve, primeiro, suspender as suas atividades nucleares.

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A Coreia do Norte apoia também o projeto de gasodutos destinado à transportar gás da Rússia para a Coreia do Sul, declarou Medvedev, que caracterizou a reunião com Kim Jong-il como “aberta” e “substancial”.

“O que eu compreendi é que a Coreia do Norte está interessada na realização desse tipo de projeto trilateral com a participação da Rússia e da Coreia do Sul”, afirmou.

Moscou e Pyongyang estudam “o transporte de gás pela Coreia do Norte, com a inclusão da República da Coreia no projeto, já que os principais consumidores estão nesse território”, acrescentou Medvedev.

O presidente russo afirmou que o gasoduto terá 1.700 km de extensão e terá uma capacidade inicial de 10 bilhões de metros cúbicos por ano.

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Além da cooperação bilateral, “o reforço do diálogo político e o aprofundamento dos contatos humanitários regionais” também figuram nas reuniões, indicou Kremlin em um comunicado.

O líder norte-coreano chegou no sábado no Extremo Oriente russo a bordo de seu trem blindado. Ele, que não gosta de viajar de avião, realizou sua terceira visita à Rússia após suas viagens de 2001 e 2002.

Por motivos de segurança, sua vinda não foi anunciada oficialmente e o Kremlin não divulgou detalhe algum sobre a programação do norte-coreano que ficará uma semana na Rússia.

Kim, que visitou a China dois meses atrás, procura ajuda econômica entre os seus raros aliados para superar a escassez de alimentos devido as inundações que devastaram em julho a Coreia do Norte, país fechado para o resto do mundo e em conflito velado com a Coreia do Sul.

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A Rússia anunciou na semana passada uma ajuda humanitária de 50.000 toneladas de trigo para a Coreia do Norte. A primeira parte da ajuda já chegou e a segunda será entregue até setembro.

Segundo especialistas, Kim procura também o apoio de Moscou no processo de transição do poder para o seu filho mais novo, Kim Jong-un, que lidera o Estado stalinista, única dinastia comunista do mundo.

As atividades do líder norte-coreano na Rússia são variadas: visita a uma fábrica de aviões e helicópteros próximo à Ulan-Ude, passeio de barco no lago Baikal na Sibéria, banho de piscina e degustação de especialidades locais.

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