Na ONU, presidente da Autoridade Palestina confirma primeiras eleições legislativas em 20 anos
Mahmoud Abbas também criticou os Estados Unidos por impedirem sua entrada no país para participar presencialmente da Assembleia Geral
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou nesta quinta-feira, 24, que as eleições legislativas palestinas serão realizadas em 28 de novembro, no que seria a primeira votação do tipo em duas décadas.
Em discurso gravado e exibido durante a Assembleia Geral da ONU, Abbas, de 90 anos, disse que a Autoridade Palestina concluiu um programa de reformas prometido à população e à comunidade internacional, confirmando a data do pleito. Os palestinos não realizam eleições legislativas desde 2006, quando o Hamas venceu a disputa e, no ano seguinte, assumiu o controle da Faixa de Gaza após confrontos com forças ligadas ao Fatah, partido de Abbas.
Apesar da confirmação da data, integrantes do próprio Fatah levantam dúvidas sobre a realização da votação. Entre os obstáculos estão as restrições de Israel à entrada, em Gaza, de materiais necessários para organizar o pleito. O partido de Abbas ainda não anunciou sua lista de candidatos, enquanto o Hamas afirmou que pretende participar e negocia uma possível coalizão com outros grupos.
Abbas também voltou a criticar os Estados Unidos por impedirem sua entrada no país para participar presencialmente da Assembleia Geral. Pelo segundo ano consecutivo, Washington negou vistos ao presidente palestino e a outros integrantes da delegação. O governo de Donald Trump acusa a Autoridade Palestina de não cumprir compromissos assumidos e de buscar “internacionalizar” o conflito com Israel. Abbas rejeitou as acusações e classificou as medidas americanas como ilegais.
“Rejeitamos essas medidas punitivas ilegais, bem como as acusações e justificativas nas quais elas se basearam”, declarou Abbas. “Afirmamos que cumprimos nossos compromissos, concluímos um programa de reforma nacional abrangente e continuamos nosso compromisso com o direito internacional, a rejeição da violência e do terrorismo”, acrescentou.
No discurso, o líder palestino também denunciou um “esquema colonialista” de Israel nos territórios palestinos e fez um apelo para a comunidade internacional “não deixar outros massacres ocorrerem”. Abbas afirmou que a expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada ameaça a solução de dois Estados e pediu maior pressão internacional.
“O que está ocorrendo em Gaza, Cisjordânia e em Jerusalém ocupada não são incidentes separados. Israel está realizando um esquema colonialista e maligno com objetivo de dificultar as vidas de palestinos em sua terra e apagar a presença palestina. (…) Não deixem outra Nakba nem outros massacres ocorrerem”, afirmou Abbas, referindo-se ao êxodo palestino de cerca de 700 mil pessoas durante e após a guerra árabe-israelense de 1948.
A convocação de novas eleições atende às pressões de países e organismos internacionais que financiam a Autoridade Palestina e defendem reformas capazes de ampliar a representatividade das instituições palestinas.





