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Na Índia, 1.000 pessoas são presas por negar acesso de mulheres a templo

Indianas foram barradas por homens que incendiaram veículos, atiraram pedras e agrediram os policiais que as acompanhavam

A polícia do estado de Kerala, no sul da Índia, prendeu cerca de 1.000 pessoas acusadas de impedir a entrada de mulheres em um famoso templo da região na semana passada, mesmo depois de recente determinação do Supremo Tribunal que permite o acesso.

“Nos últimos dois dias, detivemos pouco mais de mil pessoas, mas ainda estamos contabilizando os números”, afirmou o principal porta-voz da corporação, Pramod Kumar.

A polícia está fazendo uma operação especial para identificar e prender manifestantes que bloquearam a entrada de várias mulheres no templo de Sabarimala, em Pathanamthitta, durante os cinco dias em que permaneceu aberto.

O local dedicado ao deus Ayyappa só abre ao público em determinadas semanas do ano, ao contrário da maioria dos templos. No último dia 17, o lugar foi aberto pela primeira vez desde o início da vigência da determinação judicial. Antes, mulheres com idades entre 10 e 50 anos tinham o acesso proibido.

De acordo com a tradição, mulheres em idade menstrual são consideradas impuras.

Várias mulheres foram ao templo escoltadas por policias e até mesmo usando capacete e colete à prova de bala, mas nenhuma tentativa foi bem-sucedida, e todas foram obrigadas a voltar.

Segundo o jornal The New York Times, ao menos 12 mulheres tentaram entrar no local, mas foram bloqueadas pelos manifestantes. Os homens gritaram, incendiaram veículos, atiraram pedras e agrediram os policiais que as acompanhavam e até se deitaram sobre os degraus que levam ao templo para impedir a passagem.

Uma das indianas que tentou visitar o local desmaiou após passar pelos manifestantes.

“Os detidos ainda estão sob custódia policial. Eles serão apresentados ao Tribunal ao término da operação, que deve durar mais dois dias”, disse Kumar

Entre outras medidas, as autoridades distribuíram centenas de imagens dos manifestantes que impediram a entrada das mulheres aos chefes de polícia dos distritos de Kerala.

Nos seis últimos dias, episódios de violência entre as forças de segurança e os manifestantes foram recorrentes. A polêmica chegou, inclusive, ao campo político, quando a seção regional do partido nacionalista BJP, o mesmo do primeiro-ministro Narendra Modi, se uniu aos fiéis nas manifestações contrárias à lei.

Agora o templo está fechado, mas deve reabrir entre 5 e 6 de novembro. Em seguida, por várias semanas entre o final do mês de novembro e de dezembro, para a temporada anual de peregrinação. Os agentes  de segurança ainda não sabem como lidar com os possíveis conflitos que devem continuar a afetar o templo.

Não é incomum que as decisões judiciais indianas, inclusive da Suprema Corte, não sejam cumpridas, particularmente em áreas rurais remotas.

(Com EFE)