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Na França, papa Leão XIV cutuca Trump e alerta contra riscos da IA

Pontífice chegou a Paris nesta sexta-feira, 25, para visita de quatro dias

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 set 2026, 10h35 | Atualizado em 28 set 2026, 14h53
Na França, papa Leão XIV cutuca Trump e alerta contra riscos da IA Priorize VEJA no Google

O papa Leão XIV defendeu a importância da liberdade de imprensa nesta sexta-feira, 25, no início de uma visita de quatro dias à França. Questionado por jornalistas sobre as restrições impostas pelo governo de Donald Trump a veículos de comunicação, o pontífice afirmou que uma cobertura jornalística ampla é necessária e disse estar satisfeito por receber os repórteres que o acompanham.

“Estou muito feliz que aqui todos vocês sejam bem-vindos”, afirmou Leão XIV a bordo do avião que o levou de Roma a Paris. “Uma boa cobertura, penso eu, é muito importante, e que a tenhamos em todos os lugares, para todos.”

A declaração ocorreu um dia depois de um juiz federal americano determinar a restauração do acesso de jornalistas da CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca. As três organizações haviam sido impedidas de entrar no complexo por determinação de Trump e recorreram à Justiça contra a medida.

O episódio foi mencionado durante a conversa do papa com os repórteres no avião. Leão XIV já havia se manifestado anteriormente sobre a importância da imprensa e, ao ser questionado se tinha uma mensagem para jornalistas que enfrentavam dificuldades para trabalhar na Casa Branca, reforçou a defesa de uma cobertura acessível e plural.

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Alerta contra os riscos da inteligência artificial

Horas depois, já em Paris, o pontífice colocou a inteligência artificial no centro de seu primeiro discurso oficial na França. Em cerimônia no Palácio do Eliseu, ao lado do presidente Emmanuel Macron, Leão XIV alertou para o risco de a humanidade perder espaço diante do avanço acelerado da tecnologia.

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O papa afirmou ser necessário desenvolver uma formação capaz de oferecer “discernimento ético” para que as pessoas consigam distinguir o que é moralmente bom e fazer com que o progresso tecnológico esteja a serviço da dignidade humana.

“Se quisermos evitar perder nossa humanidade em meio a um ‘paraíso das máquinas’ que invade e condiciona nossa vida cotidiana, há uma necessidade urgente de educação para o discernimento ético”, disse.

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A inteligência artificial é um dos principais temas da viagem do pontífice. Em maio, Leão XIV havia dedicado seu primeiro grande documento do pontificado ao assunto e defendido mecanismos internacionais para evitar que a tecnologia fique concentrada nas mãos de poucos. Nesta sexta-feira, Macron também defendeu a criação de uma organização internacional capaz de estabelecer regras para os modelos mais avançados de IA.

Papa critica barriga de aluguel e morte assistida

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No mesmo discurso, Leão XIV fez críticas a práticas que, segundo ele, podem transformar a ciência e a tecnologia em atividades orientadas pelo lucro. O pontífice citou a manipulação genética, a barriga de aluguel, o comércio de órgãos e a possibilidade de uma pessoa programar a própria morte.

“Estou preocupado, às vezes, com tendências da sociedade que correm o risco de transformar a ciência e a tecnologia em empreendimentos movidos pelo lucro”, afirmou.

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O papa também reiterou a defesa da vida como princípio fundamental dos direitos humanos. A declaração ocorre em um momento particularmente sensível na França: em agosto, entrou em vigor uma lei que estabeleceu o direito à assistência para morrer em determinadas circunstâncias envolvendo adultos com doenças graves e incuráveis. Leão XIV não citou diretamente a legislação francesa, mas sua fala reafirmou a posição tradicional da Igreja Católica contrária à morte assistida.

A barriga de aluguel, por sua vez, é proibida na França, embora a Justiça do país reconheça, em determinadas circunstâncias, a filiação de crianças nascidas por meio da prática no exterior.

Primeira visita papal à França em quase 20 anos

Leão XIV chegou a Paris nesta sexta-feira para a primeira visita oficial de um papa à França em quase duas décadas. Recebido pelo presidente Emmanuel Macron e pela primeira-dama, Brigitte Macron, o pontífice foi recebido com honras de chefe de Estado.

A viagem terá três etapas: Paris, o santuário de Lourdes e Metz, na região próxima à fronteira com a Alemanha. O papa afirmou que chega ao país como um “peregrino da paz”, em uma agenda que inclui encontros políticos, religiosos e com vítimas de abusos cometidos no âmbito da Igreja.

A expectativa é de grandes multidões. Cerca de 600 mil pessoas se inscreveram para participar da missa ao ar livre prevista para sábado, 26, em Paris. Uma vigília para jovens no Stade de France deve reunir cerca de 80 mil pessoas.

Nesta sexta-feira, além do encontro com Macron, Leão XIV visitará a sede da Unesco, em Paris, e fará uma aparição pública no papamóvel. A agenda também prevê uma passagem pela catedral de Notre-Dame e um encontro com jovens.

Em Lourdes, no fim de semana, o pontífice deverá se reunir com vítimas de abusos sexuais cometidos por integrantes da Igreja. A visita ocorre em meio ao esforço do Vaticano para responder às denúncias e às cobranças por mudanças na forma como a Igreja francesa lida com os casos. Uma investigação independente publicada em 2021 estimou que cerca de 330 mil menores sofreram abusos em instituições ligadas à Igreja na França entre 1950 e 2020.

Em Metz, última etapa da viagem, o papa deverá abordar a paz e o futuro da Europa. A visita também ocorre em um momento de forte debate político na França, país de tradição secular onde a prática religiosa católica vem diminuindo, embora a Igreja registre sinais recentes de renovação entre alguns grupos de jovens.

Ao longo dos quatro dias, Leão XIV deve combinar temas religiosos com questões de alcance internacional, como guerras, migração, inteligência artificial e o futuro da Europa.

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