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Na Flórida, venezuelanos expatriados são cautelosos sobre mudanças

Notícia sobre a morte de Chávez é recebida com otimismo por venezuelanos, mas sem grandes expectativas sobre mudanças imediatas no país

Por Da Redação - 6 mar 2013, 13h43

A cidade de Doral, no condado de Miami-Dade, Flórida, conta com tantos moradores venezuelanos que ganhou o apelido de “Doralzuela”. São expatriados que fugiram do governo Chávez e da criminalidade na Venezuela e que receberam a notícia sobre a morte do coronel com uma esperança cautelosa, como aponta reportagem do jornal The New York Times.

O jornal americano registrou a celebração dos moradores, que cantaram o hino nacional, vestiram as cores da Venezuela – amarelo, vermelho e azul – e reuniram-se em restaurantes de comida venezuelana. Para eles, o momento atual pode significar a possibilidade de voltar ao país de origem ou, ao menos, saber que seus familiares estão mais seguros.

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O prefeito de Doral, Luigi Boria, nascido na Venezuela, considerou a morte de Chávez “um momento histórico para a Venezuela”. “Sei que grandes mudanças vão acontecer na Venezuela. Agora precisamos ter uma transição pacífica”. O consultor de informática Angel Monterusco, de 51 anos, disse que “a morte é sempre lamentável, mas essa é uma nova era”. “Nós tínhamos um ditador. Não havia leis nem justiça”.

Sua mulher, Maria Eugenia Prince, de 43 anos, mudou-se há apenas seis meses para Doral e, como vários outros, diz que o medo do aumento da criminalidade a forçou a deixar a Venezuela. “A Venezuela tem sofrido tanto nos últimos anos. Tantas pessoas que se mudaram, morreram e perderam seus empregos em um país tão rico em petróleo”, lamentou. “Eu quero voltar para casa. É o meu país”, completou.

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Eleições – As irmãs Daniela e Corina Calzadilla disseram ao jornal The Miami Herald ter planos de voltar ao país para votar nas novas eleições presidenciais. “Esperamos que este seja o caminho de volta à nossa democracia”, disse Daniela, que deixou Caracas há cinco anos. Segundo ela, a criminalidade na capital venezuelana disparou sob o comando de Chávez e as oportunidades de emprego diminuíram.

Políticos da Flórida também reagiram à notícia sobre a morte de Chávez. “Tenho uma sincera esperança de que os líderes da Venezuela vão tentar reconstruir nossa amizade, que já foi forte, com base em uma democracia compartilhada e princípios de livre comércio”, disse o senador republicano Marco Rubio.

Nayana Nava, de 39 anos, é a coordenadora da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática em Miami. Em outubro do ano passado, ônibus foram utilizados para levar os expatriados para votar em Nova Orleans, depois que o consulado em Miami foi fechado. Mais de 20.000 venezuelanos que moram na Flórida, na Geórgia, na Carolina do Norte e do Sul foram registrados para votar em Miami e a maioria tradicionalmente vota na oposição, aponta o Herald. Segundo Nava, que vive a 17 anos nos Estados Unidos, o grupo vai organizar outra campanha para as eleições que apontarão o substituto de Chávez.

Betsy Grimaldo-Toro, de 47 anos, é outra expatriada que não acredita em mudanças imediatas no país. “Eu não desejo coisas ruins para a Venezuela. Mas será muito difícil para o chavismo sair”.

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