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Mursi enfrenta protestos em várias partes do Egito

Confrontos entre a polícia e manifestantes continuam na Praça Tahrir

Por Da Redação - 27 nov 2012, 12h28

Na maior crise desde que assumiu o poder, em junho, o presidente do Egito, Mohamed Mursi, enfrenta nesta terça-feira novos protestos por todo o país por causa do decreto que amplia seus poderes. Confrontos entre a polícia e jovens manifestantes foram registrados na manhã desta terça-feira perto da Praça Tahrir, no Cairo. No local, onde ativistas estão acampados, os manifestantes prendiam cartazes em postes de iluminação e montavam mais barracas.

“Vamos ficar na Tahrir até Mursi suspender seu decreto”, disse o manifestante Ahmed Fahmy, de 34 anos. Além da Praça Tahrir – o epicentro dos protestos que derrubaram Hosni Mubarak no ano passado -, também foram convocadas manifestações na Alexandria, no Mediterrâneo, no Delta do Nilo e no centro do Egito.

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Os manifestantes reclamam do decreto anunciado por Mursi na última quinta-feira, determinando que suas decisões não são passíveis de recurso, o que, efetivamente, o coloca acima de qualquer supervisão judicial. Depois do anúncio das novas medidas, o presidente passou a ser acusado de assumir poderes ditatoriais. “A Irmandade Muçulmana roubou a revolução”, afirma um cartaz, referindo-se ao partido de Mursi. Outro afirma que sua decisão “incentiva as pessoas à desobediência civil”.

Na segunda-feira, Mursi se reuniu com os autoridades do Judiciário em uma tentativa de controlar a crise. Após a reunião, seu porta-voz informou que ele havia concordado que apenas decisões relacionadas a assuntos soberanos do país seriam protegidas contra questionamentos judiciais. Crise – No entanto, juízes presentes à reunião afirmaram que a crise não terminou. “O encontro falhou”, disse o juiz Abdel Rahman Bahlul ao jornal independente Al-Masry Al-Youm. “Não podemos dizer que isso seja o fim da crise entre o judiciário e a presidência”, afirmou o juiz Ahmed Abdel Rahman, ao jornal. Uma fonte do Judiciário afirmou que, mesmo se a imunidade fosse limitada aos poderes soberanos, “ainda há preocupações pelo fato de o texto permanecer inalterado”. Na segunda-feira, milhares de pessoas participaram do enterro de um membro da Irmandade Muçulmana morto em confrontos em frente aos escritórios do partido na cidade de Damanhour, no Delta do Nilo, no domingo. No Cairo, milhares de pessoas acompanharam o funeral de Gaber Salah, um membro do Movimento 6 de Abril (grupo de jovens criado nas redes sociais para combater o antigo governo de Mubarak) que morreu na semana passada em decorrência de ferimentos sofridos em confrontos perto da Praça Tahrir. (Com agência France-Presse)

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