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Murdoch vai a Londres tentar estancar a crise dos grampos

Por Da Redação 9 jul 2011, 14h58

O empresário Rupert Murdoch, dono do império de comunicações News Corp., viajou neste sábado dos Estados Unidos ao Reino Unido para tentar estancar a crise gerada pelo escândalo das escutas ilegais de seu jornal dominical News of the World. Em sua última cartada, o empresário decidiu fechar o tabloide após a revelação de que entre os alvos dos grampos estava, além de políticos e celebridades, uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002 e depois foi encontrada morta. A última edição do jornal, o mais vendido em língua inglesa, circula amanhã.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a polícia investiga se um executivo da News International, braço da News Corp. que edita o News of the World, apagou milhões de e-mails de um arquivo interno para obstruir o trabalho da Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres. Acredita-se que esse arquivo revele detalhes do contato diário entre editores com pessoas de fora da redação, incluindo investigadores particulares. Um porta-voz do tabloide negou a investigação e insistiu que o periódico está “cooperando ativamente com a polícia” e “não destruiu nenhuma prova”.

A News International é presidida pelo filho de Murdoch, James, que veio a público explicar as “medidas contundentes” tomadas sobre o futuro do jornal – no caso, pôr fim a 168 anos de história.

Na escalada da crise, as atenções voltam-se para Rupert Murdoch, também dono do Time e Wall Street Journal, entre muitos outros veículos. Esta semana o australiano se pronunciou pela primeira vez sobre o caso. Ele saiu em defesa de Rebekah Brooks, à frente da News International, e disse que a decisão de fechar o jornal foi coletiva. Rebekah, antiga diretora de News of the World, informou na sexta-feira aos funcionários que deixará de dirigir a investigação interna por conflito de interesses.

O governo britânico também foi envolvido no turbilhão da crise. As revelações da semana obrigaram o premiê David Cameron a vir a público para condenar os grampos e a apoiar a investigação. Seu ex-secretário de imprensa, Andy Coulson, que comandou o tabloide entre 2003 e 2007, foi detido nesta sexta-feira – e solto após pagar fiança. No sábado, veio a público a informação de que o premiê havia sido avisado pelo ex-líder liberal-democrata Paddy Ashdown que teria problemas caso contratasse Coulson.

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O escândalo – O caso das escutas ilegais estourou há cinco anos, quando foi revelado que o News of the World contratou detetives para grampear políticos e celebridades. A crise se agravou no início de junho deste ano, quando a polícia britânica descobriu que personalidades como Kate Middleton e o ex-premiê Tony Blair haviam sido alvos das escutas ilegais do News of the World. O caso ganhou uma dimensão ainda maior nesta semana, com a revelação de que um dos alvos de escuta ilegal foi a menina de 13 anos Milly Dowler. Mensagens de sua caixa postal foram apagadas pelos arapongas pagos pelo tabloide, de modo a liberar espaço para mais recados. Isso induziu polícia e familiares a pensar que a garota ainda estivesse viva.

Prisões – Além da prisão de Coulson, também foi detido na sexta-feira Clive Goodman, jornalista especializado na cobertura da família real britânica, que já cumpriu pena de quatro meses em 2007 por interceptar caixas de correio de celulares, em colaboração com o detetive Glen Mulcaire. Outros três jornalistas foram detidos e postos em liberdade condicional enquanto prossegue a investigação.

Mercado – O fechamento do tabloide, que põe fim a 168 anos de história com a possível demissão de 200 trabalhadores, é vista nos círculos políticos e empresariais como a derradeira tentativa de proteger os interesses do grupo, cujas ações caíram nas bolsas de valores e tiveram prejuízos com publicidade.

O escândalo surge no momento em que o governo decide se autoriza a compra do controle da cadeia BSkyB pela News Corp por 10 milhões de libras. O grupo de Murdoch já possui 39% da companhia. Frente à crise de credibilidade da rede, vários ministro pedem que a análise da compra seja adiada. Até agora, Cameron tem resistido a suspendê-la. No entanto, fontes do governo dão como certo o atraso do processo pelo menos até setembro.

Último dia – Jornalistas que trabalham no News of the World relataram que houve protestos neste sábado, último dia de trabalho. “Um dos repórteres trombou com um manifestante lá fora que o xingou. Os telefones tocaram toda a semana com pessoas gritando coisas sujas e abusivas. Mas hoje as pessoas estão ligando para mostrar apoio”, declarou um jornalista ao The Guardian.

(Com EFE)

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