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Mulheres são maioria no gabinete do novo governo da Espanha

Pedro Sánchez trouxe especialistas para cada área; para as Relações Exteriores, nomeou Josep Borrell, defensor da independência da Catalunha

Por Da Redação 6 jun 2018, 20h26

O novo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, nomeou seu gabinete nesta quarta-feira (6) com mulheres assumindo a maioria dos postos no topo do governo pela primeira vez na história do país. Sua equipe terá 11 mulheres e seis homens.

O Partido Socialista (PSOE), de Sánchez, possui somente 84 dos 350 assentos no Parlamento. Mesmo minoritário, alavancou Sanchéz para o cargo, na sexta-feira passada, depois de firmar uma improvável aliança com partidos nacionalistas e contrários à austeridade fiscais. Esses partidos apoiaram o PSOE na destituição do conservador Mariano Rajoy por conta de um escândalo de corrupção.

Sanchéz, entretanto, rejeitou pedidos para abrir espaço no seu governo para o partido de extrema-esquerda Podemos que, com 67 assentos no Parlamento, foi chave para a destituição de Rajoy. O novo primeiro-ministro preferiu formar seu governo predominantemente com figuras de seu próprio partido PSOE.

  • Sánchez escolheu um astronauta como ministro da Ciência, uma procuradora estadual especializada na acusação de ataques jihadistas como ministra da Justiça e um negociador do tratado de mudanças climáticas como ministro do Meio Ambiente, entre outros.

    “Todos são altamente qualificados, trazem uma vocação para serviço público e refletem o melhor da Espanha”, disse Sánchez hoje a repórteres.

    “(O novo gabinete) é pró-igualdade de gênero, intergeracional, aberto ao mundo, mas ancorado na União Europeia”.

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    Entre as mulheres de alto escalão nomeadas estão a socialista Carmen Calvo, que se torna vice-primeira-ministra. A diretora-geral da área orçamentária da Comissão Europeia, Nadia Calvino, foi nomeada ministra da Economia, e a procuradora estadual Dolores Delgado será ministra da Justiça.

    Com o Parlamento fragmentado, grandes mudanças políticas serão difíceis de ser alcançadas por Sánchez. Mas vitórias rápidas sobre propostas populares e consensuais podem permitir que ele continue no cargo ou possivelmente vença uma eleição antecipada se o governo não conseguir durar até o final de seu mandato, em 2020.

    Um de seus maiores desafios será a reconstrução de relações com a região da Catalunha, no nordeste do país, que realizou um referendo separatista sobre independência no ano passado. A separação da região foi abortada por Madri, que derrubou o governo local e fez uma intervenção.

    Sánchez deve permanecer firme no apoio de seu partido à unidade espanhola, considerando a Constituição do país. Mas pretende abrir linhas de comunicação para reparar as relações com o governo catalão, que permanece ferozmente pró-independência.

    Ele nomeou dois catalães para cargos no gabinete, entre os quais o ex-presidente do Parlamento Europeu Josep Borrell, favorável à independência de sua região, como ministro das Relações Exteriores tenha irritado separatistas.

    (Com Reuters)

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