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Mulheres são maioria no gabinete do novo governo da Espanha

Pedro Sánchez trouxe especialistas para cada área; para as Relações Exteriores, nomeou Josep Borrell, defensor da independência da Catalunha

O novo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, nomeou seu gabinete nesta quarta-feira (6) com mulheres assumindo a maioria dos postos no topo do governo pela primeira vez na história do país. Sua equipe terá 11 mulheres e seis homens.

O Partido Socialista (PSOE), de Sánchez, possui somente 84 dos 350 assentos no Parlamento. Mesmo minoritário, alavancou Sanchéz para o cargo, na sexta-feira passada, depois de firmar uma improvável aliança com partidos nacionalistas e contrários à austeridade fiscais. Esses partidos apoiaram o PSOE na destituição do conservador Mariano Rajoy por conta de um escândalo de corrupção.

Sanchéz, entretanto, rejeitou pedidos para abrir espaço no seu governo para o partido de extrema-esquerda Podemos que, com 67 assentos no Parlamento, foi chave para a destituição de Rajoy. O novo primeiro-ministro preferiu formar seu governo predominantemente com figuras de seu próprio partido PSOE.

Sánchez escolheu um astronauta como ministro da Ciência, uma procuradora estadual especializada na acusação de ataques jihadistas como ministra da Justiça e um negociador do tratado de mudanças climáticas como ministro do Meio Ambiente, entre outros.

“Todos são altamente qualificados, trazem uma vocação para serviço público e refletem o melhor da Espanha”, disse Sánchez hoje a repórteres.

“(O novo gabinete) é pró-igualdade de gênero, intergeracional, aberto ao mundo, mas ancorado na União Europeia”.

Entre as mulheres de alto escalão nomeadas estão a socialista Carmen Calvo, que se torna vice-primeira-ministra. A diretora-geral da área orçamentária da Comissão Europeia, Nadia Calvino, foi nomeada ministra da Economia, e a procuradora estadual Dolores Delgado será ministra da Justiça.

Com o Parlamento fragmentado, grandes mudanças políticas serão difíceis de ser alcançadas por Sánchez. Mas vitórias rápidas sobre propostas populares e consensuais podem permitir que ele continue no cargo ou possivelmente vença uma eleição antecipada se o governo não conseguir durar até o final de seu mandato, em 2020.

Um de seus maiores desafios será a reconstrução de relações com a região da Catalunha, no nordeste do país, que realizou um referendo separatista sobre independência no ano passado. A separação da região foi abortada por Madri, que derrubou o governo local e fez uma intervenção.

Sánchez deve permanecer firme no apoio de seu partido à unidade espanhola, considerando a Constituição do país. Mas pretende abrir linhas de comunicação para reparar as relações com o governo catalão, que permanece ferozmente pró-independência.

Ele nomeou dois catalães para cargos no gabinete, entre os quais o ex-presidente do Parlamento Europeu Josep Borrell, favorável à independência de sua região, como ministro das Relações Exteriores tenha irritado separatistas.

(Com Reuters)