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Mulher sunita que salvou soldados xiitas se transforma em ícone do Iraque

Em um país dilacerado por disputas sectárias e pelo terrorismo islâmico, os exemplos de coragem e de compaixão de uma senhora de 60 anos são um alento de esperança

Por Da Redação 9 jan 2016, 08h11

Enquanto a tensão entre muçulmanos xiitas e sunitas alcança novos patamares no Oriente Médio, Um Qusai, uma sunita de 60 anos, se transformou em um ícone no Iraque, um país de maioria xiita, após salvar a vida de 25 soldados dessa crença. A “mãe dos iraquianos”, como foi batizada pelos meios de comunicação nacionais, escondeu em sua casa em junho de 2014 soldados que fugiam da base militar de Spiker, onde os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) realizaram um massacre após tomá-la pela força.

“Eu acredito no Iraque e não aceito injustiça”, disse Tawaa, que depois da invasão dos jihadistas na base de Spiker, situada na província de Saladino, acolheu vários grupos de soldados – que ela alimentou e ajudou a fugir. Somente na base de Spiker, o grupo terrorista executou em 12 de junho de 2014, um dia após ocupar Tikrit, capital de Saladino, 1.700 “membros xiitas do exército”, e publicou vídeos de centenas de homens capturados que, segundo sustentou então, tinham se rendido na base militar de Spiker.

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Tawaa, que vive na cidade de Alalam, ao nordeste de Tikrit, afirmou que o EI matou dois de seus filhos e ressaltou: “Não vamos nos reconciliar com qualquer pessoa que tenha as mãos manchadas de sangue iraquiano”. Para lutar contra o terror, Tawaa pediu união aos iraquianos e que eles cooperem contra os terroristas e apoiem tanto as forças de segurança, como as milícias Multidão Popular, leais ao governo e formada majoritariamente por voluntários de credo xiita [saiba a diferença entre xiitas e sunitas no quadro abaixo].

Os iraquianos xiitas do sul do Iraque foram os que decidiram chamar Um Qusai de Um al Iraquiyin (a mãe dos iraquianos), como é conhecida nos meios de comunicação. Hoje ela pronuncia com orgulho seu novo nome e não hesita em descrever o sectarismo como “um câncer que chegou ao Iraque de fora” e insiste que sua solidariedade com os soldados xiitas representa, precisamente, “uma rejeição ao sectarismo”.

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Refúgio – A “mãe dos iraquianos” considera que na guerra contra o terrorismo as mulheres desempenham um papel muito importante. “Algumas mulheres apoiam seus maridos, filhos e irmãos na luta contra o terrorismo e outras morreram lutando contra os jihadistas”. Ela contou também como em uma ocasião, na qual seis soldados chegaram a sua casa buscando refúgio, ela substituiu as fotos de seus verdadeiros filhos pelas dos soldados por prevenção, caso os jihadistas invadissem sua casa.

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Depois, fez com que suas filhas viajassem com eles até Kirkuk, para que nos possíveis controles, os jihadistas pensassem que os soldados eram parte de uma família. “Esta atuação é um exemplo da boa mãe iraquiana e fruto da moral, da humanidade e do orgulho de seu país”, disse o primeiro-ministro iraquiano, Haidar al Abadi, em julho durante uma cerimônia em que a “mãe dos iraquianos” foi condecorada por suas ações.

(Com agência EFE)

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