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Mubarak vai ceder o poder aos militares, diz autoridade

Segundo um funcionário do governo, este não seria um ‘golpe tradicional’

Por Da Redação 10 fev 2011, 16h04

Uma autoridade sênior do governo egípcio não identificada revelou à rede CNN que o presidente Hosni Mubarak deve anunciar na noite desta quinta-feira que vai ceder o poder aos militares do país. Segundo ele, o processo – incluindo o diálogo entre o governo e representantes da oposição – para implementar reformas e possibilitar uma transição política natural fracassou e, por isso, Mubarak está sendo forçando a renunciar à sua “autoridade constitucional”.

“Este não é um golpe no sentido tradicional da palavra”, disse a fonte. “É uma transferência do sistema governamental dos civis para os militares. O Exército vai assumir o poder, reconhecendo sua responsabilidade com o povo egípcio”, acrescentou. Segundo ele, o governo se esforçou em tentar reformas dentro da lei do país, mas o processo nunca teve apoio o suficiente, nem mesmo por parte da comunidade internacional. “Agora temos que tentar algo fora do âmbito constitucional”, pontuou.

De acordo com a TV estatal, Mubarak se reuniu com o vice-presidente, Omar Suleiman, e o primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, a portas fechadas e deve falar à nação da sede presidencial na noite desta quinta-feira. Esta será a terceira vez que o presidente se expressa publicamente desde o início dos protestos, no dia 25 de janeiro. Ainda não está claro qual será o discurso de Mubarak, mas os manifestantes já parecem ter uma resposta: “Civis, civis, não militares”, gritam eles.

O Exército, contudo, já manifestou sua posição publicamente: “tomarão todas as medidas necessárias para proteger a nação” e vão garantir apoio às demandas legítimas do povo”. A televisão egípcia interrompeu toda a programação para apresentar uma gravação de um painel de oficiais militares lendo um texto, apresentado por eles como o “comunicado número um” do Conselho Supremo das Forças Armadas.

O comunicado diz que “baseado na responsabilidade das Forças Armadas e em seu comprometimento para proteger o povo e sua diligência em proteger a nação, e em apoio às legítimas demandas do povo, o Exército continuará se reunindo continuamente para examinar medidas tomadas para proteger a nação e os ganhos e ambições do grande povo egípcio.”

Normalmente, o Conselho Supremo das Forças Armadas é comandado pelo próprio Mubarak. Nesta quinta-feira, porém, a reunião foi liderada pelo ministro da Defesa, Mohamed Tantawi, informou a rede Al-Jazira. O comunicado dos militares foi recebido com alegria pelos manifestantes na Praça Tahrir.

Apostas – Outra possibilidade é a transferência do poder de Mubarak para o seu vice, Omar Suleiman. Mas os manifestantes – que estão pelo 17º dia consecutivo nas ruas do Caairo – são contra a ideia. O Movimento 6 de Abril, que começou a onda de reivindicação popular, exigiu a renúncia dos dois. Mubarak é acusado pela população de promover um governo corrupto, além de não cuidar das condições econômicas e sociais do país. Em comunicado postado em seu site, o grupo rejeitou o plano proposto na última terça-feira para introduzir reformas constitucionais e exigiu a saída imediata do presidente.

A oposição também não aceita que o vice assuma o poder. Os jovens do Movimento 6 de Abril condenaram o tratamento “inaceitável” dado aos manifestantes por parte dos serviços secretos. Em nota, o grupo afirma ainda que “o estilo dos serviços secretos impresso por Omar Suleiman (ex-chefe dos serviços de inteligência) em seu tratamento com os manifestantes na praça de Tahrir é inaceitável”.

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