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Mubarak se soma à lista de ex-líderes condenados

Por Da Redação - 2 jun 2012, 16h56

Redação Central, 2 jun (EFE).- A pena de prisão perpétua ditada neste sábado contra o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak se soma às impostas a outros ex-líderes por crimes contra a humanidade, corrupção ou abuso de poder, muitos da América Latina, embora até agora só um tivesse sido condenado no mundo árabe, o iraquiano Saddam Hussein.

Depois de 24 anos no poder absoluto do Iraque, Saddam foi detido em dezembro de 2003, após a ocupação do país por soldados ocidentais, algo que propiciou a queda de seu regime, e foi executado no dia 30 de dezembro de 2006 em Bagdá ao ser condenado pelo massacre de 148 pessoas em 1982, na cidade de Dujail.

Na América Latina, também foram julgados e condenados vários ex-líderes, entre eles o peruano Alberto Fujimori (1990-2000) que cumpra uma pena de prisão perpétua por dois massacres cometidos por um grupo paramilitar e pelos sequestros de um jornalista e de um empresário.

O ex-presidente dominicano Salvador Jorge Blanco (1982-1986) foi condenado a 20 anos de prisão, em 1987, por enriquecimento ilícito, mas foi posteriormente inocentado após o líder Hipólito Mejía, em nome do Estado, desistir das acusações contra ele.

O ex-ditador boliviano Luis García Meza (1980-1981), que em 1993 foi condenado à revelia a mais de 200 anos de prisão, está detido desde 1995 após ser extraditado do Brasil.

O general Augusto Pinochet, que governou o Chile entre 1973 e 1990, foi processado em vários sumários, entre eles o de encobrimento do desaparecimento de opositores, antes de morrer em 2006, embora nunca tenha sido condenado.

O argentino Rafael Videla (1978-1981) permanece preso desde 1985 em um quartel próximo a Buenos Aires para cumprir prisão perpétua. Ele chegou a receber indulto em 1990, mas a medida foi cancelada posteriormente.

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Mais recentemente e também na Argentina, o ex-líder Reynaldo Bignone foi condenado à mesma pena, em abril de 2011, por crimes contra a humanidade cometidos durante a última ditadura argentina (1976-1983).

Manuel Antonio Noriega, ‘homem forte’ do Panamá entre 1983 e 1989, cumpriu 17 anos de prisão nos Estados Unidos por narcotráfico, foi extraditado à França em 2010 e, no ano seguinte, foi transferido a seu país de origem, onde permanece preso.

Na África, o ex-presidente da Libéria Charles Taylor (1997-2003), foi condenado em maio de 2012 pelo Tribunal Especial de Serra Leoa a 50 anos de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade, o que o transformou no primeiro líder africano a receber uma pena de um tribunal internacional.

Laurent Gbagbo, ex-presidente da Costa do Marfim, foi detido em 2011 e recluso em uma penitenciária em Haia, onde será julgado por crimes de guerra.

Na Europa, o ex-ditador comunista romeno Nicolae Ceausescu foi executado junto a sua esposa em 1989, após um tribunal militar condená-los à morte. Ambos foram considerados culpados do genocídio de mais de 60 mil pessoas, de organizar ações armadas contra o povo, e de evadir cerca de US$ 1 bilhão em impostos.

Mais recentemente, o ex-presidente da Federação Iugoslava, Slobodan Milosevic, acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia de crimes de guerra cometidos no Kosovo (1999) e na Croácia (1991-1992) e de genocídio durante a guerra da Bósnia (1992-1995), morreu em 2006, na prisão de Scheveningen, em Haia, onde aguardava seu julgamento.

Ele ainda enfrenta acusações desde que o ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic foi detido em 2008 por crimes contra a humanidade.

msp/sa

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