Muamar Kadhafi foi sepultado em local secreto da Líbia

Por Por Marc Bastian - 25 out 2011, 09h48

O corpo do ex-ditador líbio Muamar Kadhafi foi enterrado na noite de segunda-feira em um local secreto pelo novo regime, cinco dias depois de sua morte em Sirte, sua cidade natal e último reduto.

Kadhafi foi sepultado em uma cerimônia religiosa, ao lado dos corpos de seu filho Muatassim e do ex-ministro da Defesa Abu Bakr Yunis Jaber, também mortos depois de terem sido capturados pelas milícias do Conselho Nacional de Transição (CNT), segundo um membro do Conselho Militar de Misrata que pediu anonimato.

O corpo do ex-ditador passou quatro dias em exposição pública em um frigorífico antes do sepultamento.

Também na noite de segunda-feira em Sirte, 360 km ao leste de Trípoli, pelo menos 100 pessoas morreram e 50 ficaram feridas na explosão de um depósito de combustível.

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Sirte está completamente devastada após semanas de combates e bombardeios da Otan.

De acordo com guardas posicionados na entrada de um mercado do subúrbio de Misrata, onde o corpo de Kadhafi foi exibido em um frigorífico, um comboio de quatro ou cinco veículos militares levou os cadáveres na noite de segunda-feira para um local não informado.

Três dirigentes religiosos partidários de Muamar Kadhafi oraram e organizaram uma cerimônia religiosa antes dos sepultamentos, segundo a fonte do Conselho Militar.

O pai e dois filhos do ex-ministro da Defesa estavam presentes, de acordo com o militar.

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“Eu vi a permissão de sepultamento. Indicava que Kadhafi tinha dois ferimentos de tiros, um na cabeça e outro no peito, e que apresentava cicatrizes de cirurgias do passado, uma na nuca, duas no estômago e outra na perna esquerda”, completou a fonte.

O enterro de Kadhafi não encerra a polêmica sobre as circunstâncias da morte. Uma necropsia foi realizada, mas o médico responsável disse que aguarda a autorização das novas autoridades em Trípoli para divulgar os documentos.

As novas autoridades líbias afirmam que o ex-ditador morreu com um disparo na cabeça durante uma troca de tiros. Mas testemunhas e vídeos gravados no momento da captura dão a entender que Kadhafi pode ter sido vítima de uma execução sumária.

Na segunda-feira, o novo regime anunciou a criação de uma comissão para investigar as circunstâncias da morte de Muamar Kadhafi.

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Mustafa Abdel Jalil, presidente do CNT e ex-ministro da Justiça de Kadhafi, destacou que os líbios queriam que o ex-ditador fosse julgado para que sentisse a “maior humilhação possível”, e completou que “aqueles que tinham interesse na morte rápida eram os que o apoiavam”.

Em Sirte, um enorme incêndio continuava fora de controle após uma explosão em um depósito de combustível, um acidente aparentemente provocado por uma faísca lançada por um gerador de energia elétrica.

A explosão aconteceu quando dezenas de carros formavam uma fila para reabastecimento.

O CNT, por sua vez, pediu que a Otan permaneça na Líbia “ao menos um mês”, segundo indicou nesta terça-feira o ministro interino de Petróleo e Finanças, Ali Tarhuni.

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“Peço à Otan que permaneça ao menos mais um mês”, declarou Tarhuni à imprensa na cidade de Benghazi (leste), onde teve início a rebelião contra Muamar Kadhafi.

Ao mesmo tempo, o novo governo busca aplacar as inquietações provocadas pelo anúncio de aplicação da sharia (lei islâmica) no país, onde prosseguem as conversações para a formação de um governo de transição.

O anúncio provocou fortes reações na Líbia, especialmente entre as mulheres, e também fora do país. União Europeia e Estados Unidos pediram respeito aos direitos humanos, em particular em termos de diversidade cultural e religiosa, e igualdade entre os sexos.

Na segunda-feira, Abdel Jalil afirmou que os líbios “são muçulmanos, mas muçulmanos moderados”.

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