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Muamar Kadafi comemora na TV a ‘verdadeira democracia’

Cercado pelos simpatizantes, ditador insiste: ‘Autoridade e poder estão apenas nas mãos do povo’. Mas ele admite que grupos armados controlam três cidades

Por Da Redação - 2 mar 2011, 09h47

“Não deixaremos que você se vá. Você não pode ir embora, você não pode ir embora”, gritava uma mulher em meio ao discurso do ditador, exibido pela TV

O ditador líbio Muamar Kadafi apareceu na manhã desta quarta-feira na televisão estatal para fazer um novo discurso sobre a crise em que seu país mergulhou nas últimas semanas. Cercado de um grupo de animados defensores de seu regime – que aplaudiram, gritaram seu nome e agitaram bandeiras -, Kadafi voltou a provocar seus opositores e a desafiar os rebeldes que tentam derrubá-lo, dizendo que seu país é uma “verdadeira democracia”.

Apesar da postura ainda desafiadora, Kadafi admitiu que existe uma batalha em curso. Se antes ele ainda tentava minimizar a gravidade da situação, agora ele reconhece: “Estamos combatendo grupos armados, que estão no controle em Bayda, Derna e Bengasi, e impuseram um toque de recolher com a força das armas”. Ele voltou a dizer que a rede terrorista Al Qaeda foi responsável pelo início dos distúrbios.

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O discurso foi realizado em um salão em Trípoli. A televisão líbia informou que a aparição do ditador faz parte de uma celebração pelos 34 anos do anúncio do estabelecimento da “autoridade do povo”, em 1977. Antes do início da fala de Kadafi, um de seus defensores gritou: “Orgulhem-se, aqui está um herói entre sua massa, entre pessoas livres”. Uma mulher também foi filmada falando ao microfone. Ela dizia que Kadafi é “a espada de Alá”.

“Você pode derrotar qualquer um. Você não pode se ajoelhar diante do inimigo, e nós não deixaremos que você se vá. Você não pode ir embora, você não pode ir embora”, gritou ela. Em seu discurso, o tirano voltou a adotar a mesma retórica esdrúxula dos pronunciamentos anteriores – Kadafi vem se apresentando como um grande vencedor, um líder sob controle da situação, um presidente amado e idolatrado pela sua população, que não quer mudanças.

‘Conspiração’ – O ditador parabenizou o povo líbio e afirmou: “Este não é um regime presidencial ou uma monarquia. Eu desafio qualquer um a dizer que sou eu quem está exercendo o poder”. Segundo ele, “a Grande República Socialista Popular da Líbia Árabe é uma verdadeira democracia”. Vale lembrar que na Líbia não há Parlamento ou Poder Executivo. Sem qualquer argumento, porém, Kadafi insistia: “A autoridade e o poder estão apenas nas mãos do povo.”

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Kadafi voltou a dizer que os protestos nas ruas do país foram motivados por forças estrangeiras. “Nenhuma política, interna ou externa, pode ser colocada em prática sem a aprovação do povo”, garantiu, convicto de que ainda tem apoio popular. “Aqui, não há nem sequem um preso político, porque o poder está nas mãos do povo. Mas a imprensa manipulou a verdade. Não há manifestações no país. Há, sim, uma conspiração para roubar nosso petróleo e território.”

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