Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Movimento independentista tuaregue anuncia tomada da cidade de Kidal

Por Da Redação 30 mar 2012, 10h04

Bamaco, 30 mar (EFE).- O grupo independentista tuaregue Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA) anunciou nesta sexta-feira a conquista da cidade malinesa de Kidal, no norte do país, pouco depois que os militares reconheceram a perda de suas bases nesta cidade.

‘A bandeira de Azawad foi erguida em todos os cantos da cidade de Kidal após sua completa libertação’, afirmou o MNLA em um breve comunicado divulgado em seu site.

O anúncio do MNLA ocorreu depois que testemunhas e uma fonte militar reconheceram à Agência Efe que esse grupo, que pegou em armas em janeiro para exigir a autodeterminação do norte do país, havia tomado o controle dos dois quartéis militares que o Exército de Mali mantinha na cidade de Kidal.

Uma fonte da junta golpista que derrubou na quinta-feira da semana passada o presidente Amadou Toumani Touré, disse à Efe que as novas autoridades estão preparando uma resposta militar contra o MNLA.

O Exército de Libertação Nacional de Azawad (ELNA), o braço armado do MNLA, lançou na quinta-feira à noite uma ofensiva contra Kidal, capital da província de mesmo nome, situada no extremo nordeste do país.

Segundo testemunhas e fontes militares, o incidente deixou diversas vítimas e as pessoas se esconderam em suas casas.

Em seu site, o MNLA afirmou que seus combatentes controlam desde quinta-feira os principais acessos à cidade e que o Exército de Mali sofreu baixas materiais e humanas, embora não revele detalhes.

Continua após a publicidade

Os independentistas tuaregues já controlam as cidades de Tesalit e Aguel-Hoc nesta província, na fronteira com a Argélia.

Na cidade de Gao, capital da província de mesmo nome e que se limita ao sul com Kidal, foi organizada nesta sexta uma manifestação de apoio aos golpistas.

Segundo um funcionário do governo contatado pela Efe nesta cidade, Moussa Konaté, as pessoas expressaram seu medo pelo avanço dos independentistas tuaregues.

O MNLA começou uma rebelião em 17 de janeiro para pedir a independência de Azawad, uma região que tem aproximadamente o tamanho da Alemanha e Espanha juntas.

Desde então, os combatentes tuaregues, aos quais as autoridades acusam de contar com o apoio da Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), ex-combatentes do ex-líder Muammar Kadafi e traficantes de drogas, foram ganhando espaço na região.

O conflito, que deixou cerca de 200 mil refugiados e deslocados e diversos mortos, embora não haja números oficiais, também provocou um mal-estar no Exército que acabou explodindo no golpe de estado de 22 de março.

Nesse dia, um grupo de militares protagonizou uma revolta em protesto pelo que considerava uma má gestão do conflito armado tuaregue no norte do país.

Esse novo desenvolvimento do conflito tuaregue coincide com o ultimato de 72 horas dado na quinta-feira pela Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) à junta militar golpista para devolver o poder ao presidente destituído. EFE

Continua após a publicidade

Publicidade