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Moscou nega ter dado ultimato para forças ucranianas se renderem

Fontes citadas pela agência Interfax haviam afirmado que forças russas preparavam ataque militar em caso de recusa de rendição na Crimeia

Por Da Redação - 3 mar 2014, 13h22

(Atualizado às 15h15)

O governo russo deu nesta segunda-feira um ultimato às forças ucranianas na Crimeia: se não se renderem até as 5 horas desta terça-feira (meia-noite em Brasília), enfrentarão um ataque militar. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que reproduziu uma nota da agência de notícias Interfax-Ucrânia, que por sua vez citou fontes anônimas do Ministério da Defesa da Ucrânia. Segundo essa versão, o aviso foi repassado pela frota russa que está de prontidão no Mar Negro e teve como porta-voz o comandante Alexander Vitko, segundo a Reuters. Já o Ministério da Defesa russo negou qualquer ordem nesse sentido e disse que os relatos publicados são “puro nonsense”.

O ministério ucraniano ainda não confirmou oficialmente o relato, tampouco o fizeram representantes da frota do Mar Negro, que tem uma base na Crimeia, uma antiga instalação soviética que permaneceu sob controle russo após a queda do comunismo. “Se eles não se renderem antes das 5 horas de amanhã, um ataque real será iniciado contra as unidades e divisões das forças armadas por toda a Crimeia”, disse a agência, citando a fonte do ministério.

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Milhares de soldados russos passaram a ocupar, no final da semana passada, bases, aeroportos e estradas da região. A movimentação se deu dias após o presidente ucraniano Victor Yanukovich, um aliado de Moscou, ter sido destituído pelo Parlamento. O novo governo ucraniano vem classificando as ações russas de “agressão” e até mesmo de “declaração de guerra“, e ordenou a mobilização das suas tropas, incluindo reservistas.

Também nesta segunda-feira, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que as tropas russas que ocupam a península da Crimeia, na Ucrânia, vão ficar na região até a “normalização da situação política” no país vizinho. Os russos afirmam que estão querendo apenas proteger a minoria russa que vive na Crimeia e defender seus interesses na região.

Os EUA já reconhecem que a Rússia está efetivamente controlando a península e estima que 6.000 soldados tenham sido enviados para ocupar a região. Já o governo interino da Ucrânia estima que 15.000 militares chegaram nos últimos dias.

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Nesta segunda-feira, foi a vez de soldados sem identificação que usavam veículos com placas russas tomarem o terminal de balsas da cidade de Kerch, que liga a península à Rússia. A província também está sendo comandada efetivamente pelo Parlamento local, que já convocou um referendo para consultar a população local sobre o status da região.

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Não só a Crimeia registra tensão nesta segunda-feira. Segundo a BBC e a agência Reuters, manifestantes pró-Rússia tomaram parte de um prédio administrativo na cidade de Donetsk, um centro industrial de cerca de um milhão de habitantes na região leste da Ucrânia, que à semelhança da Crimeia, também é habitada por pessoas que têm o russo como língua principal. Na semana passada, movimentos semelhantes de manifestantes pró-Rússia na Crimeia anteciparam a intervenção do país vizinho.

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