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Moscou mente ‘na minha cara’ sobre Ucrânia, diz Kerry

O secretário de Estado americano também falou que a Rússia faz uso extensivo e sem precedentes de propagadas difamatórias contra os EUA e outros países ocidentais

O secretário de Estado americano, John Kerry, acusou os líderes russos, nesta terça-feira, de mentirem “na sua cara” sobre o envolvimento de Moscou no conflito na Ucrânia e denunciou o que chamou de “propaganda” da Rússia. O chefe da diplomacia americana se recusou, no entanto, a dizer claramente se é favorável a enviar armas dos Estados Unidos para Kiev para ajudar o Exército ucraniano a combater os rebeldes pró-russos no leste do país.

“A Rússia se engajou em um período notável do exercício evidente e extensivo de propaganda difamatória [contra o Ocidente] que eu já vi desde o auge da Guerra Fria”, disse Kerry a legisladores americanos. “Eles têm insistido em seus embustes – mentiras -, como queira chamá-los, sobre suas atividades lá bem na minha cara, na cara de outros, em muitas e diferentes ocasiões”, prosseguiu. Kerry se reuniu várias vezes na Europa com o chanceler russo, Sergei Lavrov, desde que a crise começou, no começo de 2014.

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Ao ser perguntado se a Rússia estava mentindo quando negou se havia tropas, ou armas russas na Ucrânia, Kerry respondeu: “sim”. “A Rússia está empenhada em um esforço maciço para influenciar países, recorrer a eles, aproximar-se deles e, fundamental e tragicamente, reavivar um tipo de jogo leste-oeste que pensamos ser perigoso e, francamente, desnecessário”, disse Kerry. A administração Obama está discutindo se aumentará, ou não, seu apoio a Kiev para incluir armas letais. “Até que o presidente tome sua decisão, eu vou manter minhas consultas privadas e pessoais com ele”, afirmou. Kerry já pediu ao Congresso e à comunidade internacional, porém, que aumente seu apoio econômico à Ucrânia.

Violações – Os dois lados em conflito no leste da Ucrânia violaram as leis de guerra, segundo aponta o relatório de 2014 da Anistia Internacional (AI). A AI lembrou que acaba de completar um ano da queda do presidente Viktor Yanukovich, e que a violência popular degenerou no leste da Ucrânia “em um conflito civil com envolvimento da Rússia”. Houve indícios de execuções sumárias cometidas por ambas as partes do conflito, reportou a ONG.

Vários chefes separatistas alardearam terem executado sequestrados, e as autoridades separatistas de fato introduziram a pena de morte em seu código penal. Muitas mortes de civis foram consequência do uso indiscriminado da força, principalmente de foguetes e bombas não guiadas em áreas residenciais e comerciais. Nenhum dos lados tomou precauções razoáveis para proteger a população civil, segundo a Anistia, e ambos posicionaram tropas, armamento e outros alvos militares dentro de áreas residenciais. Segundo as Nações Unidas, mais de 5.000 pessoas já morreram nos conflitos do leste da Ucrânia e dezenas de milhares tiveram de deixar a região por falta de segurança.

(Com agências France-Presse e Reuters)