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Mortes por coronavírus na China chegam a quase 1.900

A epidemia de Covid-19 contaminou mais de 72.300 pessoas na China e cerca de 900 em outros países

Por Da Redação - Atualizado em 18 fev 2020, 08h37 - Publicado em 18 fev 2020, 01h48

O número de mortos na China continental pela nova epidemia de coronavírus chegou nesta terça-feira (noite de segunda, 17, no Brasil) a 1.886. Na China continental foram registradas 98 novas mortes na província de Hubei, epicentro do surto. As autoridades sanitárias de Hubei registraram 1.807 novos casos de contágio, número inferior ao da véspera.

A epidemia de Covid-19 na China contaminou mais de 72.300 pessoas e cerca de 900 em outros países.

Pequim, que tenta conter o surto de qualquer maneira, pediu às pessoas que foram curadas pelo coronavírus que doem sangue para extrair seu plasma para tratar os doentes.

Fora da China, o maior foco de infecções é o navio de cruzeiro Diamond Princess, ancorado no porto de Yokohama, no Japão, onde foram diagnosticados 99 novos casos na segunda-feira, elevando o total para 454 pessoas, apesar dos passageiros estarem confinados em suas cabines há catorze dias.

À medida que crescem as críticas à gestão da crise pelas autoridades japonesas, outros governos, como os da Austrália e da Itália, anunciaram sua intenção de retirar seus cidadãos da embarcação. Mesmo desejo manifestado por Hong Kong (que conta com cerca de 330 cidadãos a bordo). O Canadá tomou a mesma decisão para repatriar cerca de 250 canadenses.

Na segunda, mais de 300 turistas americanos que estavam no navio em quarentena foram levados de volta aos Estados Unidos onde ficarão em observação. Eles embarcaram em dois aviões: o primeiro pousou na Califórnia no fim da noite de domingo, enquanto o segundo aterrissou no Texas nesta segunda-feira. Os repatriados serão submetidos a uma quarentena de catorze dias, período de incubação do novo coronavírus.

Entre os que retornaram aos Estados Unidos catorze testaram positivo – pessoas cujos resultados dos exames chegaram apenas no decorrer da operação de retirada –, anunciou o Departamento de Estado americano. Os infectados foram isolados dos demais passageiros no avião.

Na chegada, treze deles, considerados casos de “alto risco”, foram enviados para um hospital universitário em Omaha, Nebraska, onde foram colocados em quarentena.

Antes de embarcar no avião, uma das repatriadas, Sarah Arana, disse à Agência France-Presse que estava “pronta” para partir. “Precisamos de uma quarentena real. Esta não foi boa.”

Celebrações canceladas

Fora da China, depois de Singapura (75 casos), o Japão é o país mais afetado do mundo pela epidemia. Além dos casos no cruzeiro Diamond Princess, as autoridades nipônicas informaram sobre 60 portadores do coronavírus em diferentes regiões do país.

O ministro da Saúde, Katrsunobu Kato, advertiu no domingo, 16, que o Japão entrava em uma “nova fase” da infecção viral, depois que o país passou a constatar a cada dia casos adicionais entre pessoas que não viajaram para a China e que não estiveram em contato com visitantes procedentes deste país.

O ministro pediu aos japoneses que evitem reuniões e locais movimentados. O receio provocado pelo coronavírus provocou o cancelamento da cerimônia pública de aniversário do imperador Naruhito, assim como da maratona de Tóquio para atletas amadores.

Em outros países, a preocupação aumenta, depois que uma americana que viajava no cruzeiro Westerdam apresentou resultado positivo para o novo coronavírus. O navio atracou na semana passada no Camboja com 2.200 passageiros e membros de tripulação, após a recusa de cinco portos asiáticos.

Mais de 1.200 dos 1.455 passageiros desembarcaram. Alguns permaneceram em Phnom Penh e serão submetidos a exames antes da repatriação, enquanto outros deixaram o Camboja em voos comerciais com destino a seus países. Muitos deles seguiram via Malásia, onde a americana foi diagnosticada.

Em Pequim, especialistas enviados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciaram reuniões com os colegas chineses.

Parlamento chinês

O número diário de novas mortes cresce na China, mas a um ritmo menor nas últimas 72 horas (105 na segunda-feira, contra 142 no domingo e 143 no sábado). O balanço diário de infectados aumenta moderadamente.

O Parlamento chinês avalia a possibilidade de adiar a sessão plenária de dez dias, o grande evento anual do regime comunista, prevista para começar em 5 de março.

Nesta segunda-feira, o Banco Central da China reduziu a taxa de juros para os empréstimos de um ano aos estabelecimentos financeiros, com o objetivo de estimular a recuperação da economia, paralisada pelo coronavírus.

O salão do automóvel de Pequim, que aconteceria de 21 a 30 de abril, será adiado devido à epidemia, anunciaram os organizadores.

A epidemia pode ter um efeito negativo no crescimento mundial em 2020, segundo a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, que mencionou uma perda de entre 0,1 e 0,2 ponto percentual.

O banco central da China reduziu ainda mais os juros dos bancos comerciais na segunda-feira para apoiar a economia paralisada pela epidemia.

As grandes empresas mundiais temem uma queda na demanda. A Apple anunciou que sua previsão de faturamento para o segundo trimestre provavelmente não será alcançada devido à epidemia na China, um país crucial para a empresa americana.

E a gigante australiana BHP prevê uma queda acentuada na demanda global por petróleo, cobre e aço se a epidemia não estiver sob controle em março.

Países e territórios afetados pelo coronavírus

Esta é a lista dos países e territórios que notificaram casos de contágio e falecimentos provocados pelo novo coronavírus, que surgiu em dezembro na cidade chinesa Wuhan e que deixou quase 1.900 mortos na China continental e em cinco outros países ou territórios.

Há quase 600 casos de contágio em cerca de 30 países. Na África, o primeiro caso surgiu na sexta-feita no Egito. Até o momento, não há registro de casos na América Latina.

CHINA

Ao menos 72.300 pessoas foram contaminadas na China, número que registrou um grande aumento depois que o país adotou um novo método de detecção, que começou a ser aplicado na quarta-feira. O COVID19 deixou pelo menos 1.886 mortos no país.

Quase todas as mortes aconteceram na província de Hubei, local do surgimento da epidemia, que tem Wuhan como capital.

Uma pessoa morreu em Hong Kong, onde foram detectados ao menos, 58 casos.

Em Macau foram registrados 10 casos

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ASIA

Japão: 65 casos, incluindo a morte de uma mulher, e ao menos 454 em quarentena a bordo do cruzeiro “Diamond Princess”, em quarentena em Yokohama.

Singapura: 77 casos

Tailândia: 35 casos

Coreia do Sul: 30 casos

Malásia: 22 casos

Taiwán: 20, incluido un muerto

Vietnã: 16 casos

Filipinas: 3 casos, entre eles uma vítima fatal, um chinês originário de Wuhan, que foi a primeira morte fora da China.

Índia: 3 casos

Camboja: 1 caso

Nepal: 1 caso

Sri Lanka: 1 caso

OCEANIA

Austrália: 15 casos

AMÉRICA DO NORTE

Canadá: 8 casos

Estados Unidos: 29 casos. Um cidadão americano morreu vítima do novo coronavírus na China.

EUROPA

Alemanha: 16 casos

França: 12 casos, incluindo uma morte, a primeira na Europa

Reino Unido: 9 casos, oito já receberam alta

Itália: 3 casos

Espanha: 2 casos, já recuperados e com alta

Rússia: 2 casos, já recuperados e com alta

Bélgica: 1 caso

Finlândia: 1 caso

Suécia: 1 caso

ORIENTE MÉDIO

Emirados Árabes Unidos: 9 casos

ÁFRICA

Egito: 1 caso diagnosticado em 14 de fevereiro, o primeiro do continente africano.

(com AFP)

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