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Mortes na Síria aumentam enquanto diplomacia ganha força

As forças de segurança da Síria intensificaram a repressão nesta sexta-feira quando ativistas afirmaram que mais de 130 pessoas foram mortas em confrontos nos últimos dois dias, antes de uma tentativa de condenar Damasco no Conselho de Segurança da ONU.

O chefe da missão de monitoramento da Liga Árabe na Síria disse que desde terça-feira as agitações cresceram “de maneira significativa”, especialmente nas cidades centrais de Homs e Hama, e na região norte de Idleb.

A violência, que pela primeira vez causou mortes em Aleppo, a segunda maior cidade síria, “não contribui para que todos os lados negociem”, disse o General Mohammed Ahmed Mustafa al-Dabi.

Pelo segundo dia, as forças sírias mantiveram seus ataques em Homs, matando dezenas, enquanto os Estados ocidentais e árabes se apresentaram um projeto de resolução da ONU para condenar o confronto, que já matou mais de 5.400 desde março.

Uma ofensiva antes do amanhecer em Homs e investidas similares contra Hama e outras cidades, segundo declarações, foram efetuadas horas antes de as Nações Unidas afirmarem que não poderiam mais computar o número de mortos.

O Observatório dos Direitos Humanos da Síria indicou que as forças de segurança tinham assassinado pelo menos 56 civis nesta sexta-feira, incluindo 12 soldados mortos em ataques de supostos desertores.

Ainda segundo o Observatório, 19 pessoas morreram em Naua, na província de Deera (sul), cinco em Aleppo (norte), 15 em Homs, um em Hamurieh (subúrbio de Damasco) e um em Hama (norte).

A maioria dos civis mortos era de manifestantes atingidos pelas forças de segurança.

Seis soldados morreram em um ataque de um carro-bomba em um posto de controle na cidade de Idleb e outros seis foram mortos na província de Daara em confrontos com desertores do exército, afirmou Rami Abdel Rahman, do Observatório com sede britânica à AFP.

O Observatório confirmou a morte de 62 pessoas, incluindo 33 em Homs, nos confrontos de quinta-feira.

O Observatório disse que Hama também esteve sob ataque das forças de segurança no começo desta sexta-feira, com intenso tiroteio com armas pesadas e explosões.

Nos arredores de Damasco, um garoto de 11 anos foi morto no posto de controle em Hamuriyeh, segundo informações recebidas em Nicósia.

Entre os mortos no levante contra o regime do presidente Bashar al-Assad, pelo menos 384 são crianças e quase o mesmo número está preso, segundo informações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) desta sexta.

“Até 7 de janeiro, 384 crianças tinham sido mortas, na maioria meninos”, contou a vice-diretora executiva do Unicef, Rima Salah. Ela disse que cerca de 380 crianças estão presas, “algumas com menos de 14 anos”.

O Conselho Nacional da Síria, o maior grupo de oposição, condenou as ofensivas contra o reduto opositor e afirmou estar em contato com o Conselho de Segurança para pressionar por uma forte condenação.

A mais recente onda de repressão do governo ocorre ao mesmo tempo em que o Ocidente tenta montar uma força diplomática provocada pelo pedido surpreendente no fim de semana passado da Liga Árabe para que Assad renuncie.

Nações europeias e árabes apresentaram no Conselho de Segurança um projeto de resolução que pede a saída de Assad.

O Conselho de Segurança está em um impasse há meses em relação à Síria. Rússia e China vetaram uma proposta anterior europeia em outubro, acusando o Ocidente de buscar uma mudança de regime.

“Creio que hoje temos a possibilidade de abrir um novo capítulo sobre a Síria”, disse o embaixador alemão na ONU, Peter Wittig ao entrar nos debates.

No Cairo, sede da Liga Árabe, dezenas de opositores ao regime sírio invadiram a embaixada do país, relatou um repórter da AFP.

Pelo menos 200 revolucionários sírios tentaram invadir o prédio nos arredores de Garden City, quebrando portas e janelas, antes que as forças de segurança chegassem e os expulsassem.

A missão foi esvaziada para o fim de semana muçulmano.

O embaixador sírio Yousef Ahmed visitou a missão após o incidente e afirmou que iria protestar formalmente às autoridades egípcias. “A proteção foi muito fraca hoje”, disse ele à AFP.

O chefe da ONU, Ban Ki-moon convocou o Conselho de Segurança, em que diplomatas esperam por uma votação na próxima semana. “Temos que agarrar esse momento”, declarou Ban Ki-moon.

Se uma resolução for aceita, o conselho irá dar “total apoio” ao plano da Liga Árabe de 22 de janeiro, em que Assad deve deixar o poder com seu vice para que um governo nacional seja formado e possam ser celebradas eleições.

Mas o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Gennady Gatilov Gatilov, disse “não poder apoiar qualquer resolução da ONU a favor da renúncia de Assad”, acrescentando que uma votação rápida sobre o plano ocidental-árabe estava “destinada ao fracasso”.