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Morte de líder rebelde pode abrir guerra entre oposição síria

Segundo agência, a vítima era suspeita de ter assassinado um alto membro de outro grupo opositor a Assad: a jihadista Frente Al Nusra, ligada à rede Al Qaeda

Por Da Redação - 11 jan 2013, 11h15

A morte de um importante comandante rebelde na Síria pode indicar o começo de uma guerra entre grupo armados, complicando a luta para derrubar o ditador Bashar Assad, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters. Thaer al Waqqas, comandante regional das Brigadas Al Farouq – um dos maiores grupos rebeldes sírios -, teria sido morto a tiros na manhã de quarta-feira na localidade de Sermin, cidade do norte controlada pelos rebeldes, a poucos quilômetros da fronteira com a Turquia.

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Além de crônicos problemas de abastecimento e da escassez de dinheiro e armas pesadas, os rebeldes sírios sofrem com a falta de unidade, após quase dois anos de mobilização para tentar derrubar o regime de Assad. Al Waqqas era suspeito de envolvimento com a morte, há quatro meses, de Firas al Absi, principal líder da Frente Al Nusra, grupo jihadista ligado à Al Qaeda e qualificado em dezembro por Washington como organização terrorista. Por isso, as suspeitas da morte de Al Waqqas caíram imediatamente sobre a Frente Al Nusra.

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“Os assassinos chegaram em um carro branco, desembarcaram e crivaram Waqqas de balas quando ele estava em um depósito de distribuição de alimentos”, disse um dos rebeldes à agência Reuters. “O irmão de Absi é um comandante (na cidade) de Homs. Ele prometeu vingança por Firas, e parece que ele cumpriu sua promessa. A Farouq está em um período de luto agora, mas parece questão de tempo até que os confrontos com a Nusra comecem em Bab al Hawa”, acrescentou, referindo-se à passagem fronteiriça em que Absi morreu.

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Já havia tensão entre grupos como o Nusra, composto principalmente por civis e apoiado por jihadistas estrangeiros, e grupos de oposição como o Farouq, que incorpora mais desertores do Exército e das forças de segurança oficiais e que alguns consideram mais propenso a infiltrações por agentes de Assad. Um novo comando rebelde formado em dezembro na cidade turca de Antalya, com apoio do Ocidente, da Turquia e da países árabes, parece ter tido pouco sucesso em acabar com as divisões, especialmente nas regiões que já não estão mais sob controle de Assad, nas províncias nortistas de Idlib e Alepo. Os grupos Nusra, Farouq e Ahrar al Sham – três principais organizações rebeldes no norte – ficaram de fora do novo comando.

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O Departamento de Estado dos EUA diz que o Nusra está usando a luta síria para os “propósitos malignos” da Al Qaeda, e que não deve poder participar de uma eventual transição política síria. Um funcionário das Brigadas al Farouq disse que a morte de Absi é misteriosa, mas admitiu que ela complicou as relações com o Nusra. No entanto, ele não culpou o Nusra pelo assassinato de Waqqas. “O regime está por trás do assassinato de Waqqas. Não temos nenhuma política de atacar o Al Nusra, e cooperamos militarmente com eles em algumas regiões”, afirmou a fonte.

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(Com agência Reuters)

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