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Morreu o ex-guarda nazista John Demjanjuk

O ex-guarda de um campo de extermínio nazista John Demjanjuk, condenado em maio de 2011 a cinco anos de prisão por participação no assassinato de de 27.900 judeus, morreu na região de Rosenheim, Baviera.

John Demjanjuk, 91 anos, que foi guarda no campo de Sobibor, Polônia, faleceu em um asilo, informou a rádio pública da Baviera.

O Ministério Público irá abrir uma investigação de rotina para determinar as causas de sua morte, informou a polícia.

Em maio de 2011, ao fim de 18 meses de processo, um tribunal de Munique considerou que Demjanjuk, apátrida de origem ucraniana, havia sido guarda no campo de Sobibor durante seis meses em 1943, período no qual 27.900 judeus foram exterminados.

Mas o tribunal liberou o réu, que havia passado dois anos na prisão antes e durante o julgamento, por considerar que ele não representava nenhum perigo por sua idade e pelo status de apátrida que o impedia de deixar a Alemanha.

Em maio de 2009, Demjanjuk foi expulso dos Estados Unidos, onde morava desde 1952, depois de perder a cidadania americana.

Demjanjuk foi condenado à morte em Israel em 1988 por ter trabalhado em Treblinka, outro campo de extermínio, mas depois foi absolvido em consequência das dúvidas sobre sua identidade.

Demjanjuk sempre negou as acusações, afirmando ter sido capturado em 1942 quando servia para o Exército Vermelho.

Segundo o nazista, ele passou o resto da guerra como prisioneiro de guerra antes de emigrar para os Estados Unidos, onde trabalhou em montadoras de veículos, em Cleveland (Ohio, norte), e criou três filhos.

Seis décadas após o julgamento em Nuremberg que condenou os chefes nazistas sobreviventes, o julgamento de Demjanjuk foi um dos últimos de criminosos nazistas ao lado do processo do húngaro Sandor Kepiro, que foi absolvido por um tribunal de Budapeste por falta de provas e que faleceu em setembro do ano passado aos 97 anos.

A Alemanha, que por muito tempo julgou apenas “altos oficiais e autoridades do regime nazista”, mudou a sua política “ao aceitar julgar todos os criminosos nazistas capazes de irem ao tribunal”, estimou Efraim Zuroff, diretor do Centro Simon Wiesenthal em Jerusalém, que persegue criminosos de guerra nazistas, pouco antes do julgamento de Demjanjuk.

Alguns historiadores têm enfatizado, no entanto, que, apesar da intensa cobertura da mídia em torno deste julgamento, Demjanjuk era um “peixe pequeno” no rastreamento de criminosos de guerra nazistas.

Demjanjuk, que chegou a figurar no primeiro lugar na lista de criminosos nazistas emitido pelo Centro Wiesenthal, escapou da pena de morte em Israel em 1988, após um julgamento de fatos semelhantes.

Ele foi acusado, na ocasião, de ser “Ivan, o terrível”, um guarda ucraniano do campo de concentração Treblinka (leste da Polônia), conhecido por sua crueldade. Ele foi libertado cinco anos depois, quando aparentemente descobriram que ele não era “Ivan, o terrível”.

Em 2009, um sobrevivente de Sobibor, Thomas Blatt, disse em entrevista à revista Spiegel: “Eu não me importo que ele vá para a cadeia ou não. Esse julgamento é importante para mim. Eu quero a verdade… o mundo precisa saber como era em Sobibor”.

Segundo várias estimativas de historiadores, entre 150.000 e 250.000 pessoas foram exterminadas no campo de Sobibor.