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Morre Manuel Fraga, um dos pais da Constituição espanhola

Por Da Redação 15 jan 2012, 21h46

Madri, 15 jan (EFE).- O presidente fundador do Partido Popular (PP) espanhol, Manuel Fraga, que morreu neste domingo aos 89 anos, foi uma figura-chave na história recente da Espanha, não em vão teve um papel decisivo durante a ditadura de Franco, a transição e a democracia, na qual trabalhou de forma decisiva como pai da Constituição.

Fundador de Aliança Popular (AP) e ministro da Informação e do Turismo com o ditador Francisco Franco, Fraga promoveu, entre outras coisas, a legalização de associações e partidos políticos e impulsionou a primeira Lei de Imprensa e a atual rede de albergues da Espanha.

Doutor em Direito, Ciências Políticas e Econômicas, diplomata, Fraga nasceu na localidade de Vilalba em 23 de novembro de 1922 e era até hoje o único político na ativo que tinha desempenhado cargos relevantes durante o Franquismo, a Transição e a Democracia.

Iniciou sua carreira política com 29 anos como secretário-geral do Instituto de Cultura Hispânica e, desde então, se manteve sempre em postos importantes.

Foi ministro da Informação e do Turismo com Franco, embaixador da Espanha no Reino Unido e Irlanda do Norte; vice-presidente para Assuntos do Interior e ministro do Governo com Arias Navarro; deputado das Cortes espanholas e do Parlamento Europeu, e presidente da Xunta da Galícia durante mais de 15 anos.

Também foi presidente de Aliança Popular entre 1979 e 1987, e em 1989 do refundado PP, cargo este último do que renunciou para abrir passagem a seu sucessor no PP, José María Aznar.

Desde então, a maior parte de sua vida transcorreu na Galícia, comunidade que chegou a governar com maioria absoluta até 2005, data em que retornou a Madri para ocupar, poucos meses depois, uma cadeira na Câmara Alta como senador por designação autônoma.

Como presidente galego, reivindicou as máximas transferências em matéria de pesca, a reforma constitucional do Senado – para que se transformasse em uma autêntica câmara de representação territorial – e um maior protagonismo das regiões na Europa.

Nos últimos meses de 2000, sua gestão à frente da Xunta da Galícia foi denegrida pelo surgimento dos primeiros casos de ‘vaca louca’ na Comunidade e, um ano depois, pela catástrofe do ‘Prestige’ no litoral galego.

Fatos pelos quais teve que enfrentar moções de censura apresentadas pelo BNG e pelos socialistas galegos, respectivamente, dos quais saiu arejado, amparado pela maioria absoluta de seu partido na câmara.

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Apesar de nos últimos anos a saúde do líder galego ter sido fraca em várias ocasiões, Fraga voltou a concorrer à Presidência da Xunta nas eleições autônomas do dia 19 de junho de 2005, que perdeu ao ficar a uma cadeira da maioria absoluta e pela decisão de PSOE e BNG de governar em coalizão.

Despediu-se de sua militância em 2005 e foi substituído à frente de partido na Galícia por Alberto Núñez Feijoo no Congresso extraordinário realizado em janeiro de 2006, no qual foi designado presidente de honra vitalício da legenda.

No entanto, sua substituição não significou sua despedida da vida política, já que foi eleito senador em representação da Comunidade Autônoma da Galícia no dia 7 de fevereiro seguinte.

Renunciou a seu cargo de deputado no Parlamento galego e em março de 2006 jurou na Câmara Alta. Foi reeleito senador pela Galícia em março de 2008, cargo que desempenhou até a anterior legislatura.

Nos primeiros dias de setembro do ano passado, fontes de seu entorno familiar informaram que ele estava abandonando a política ativa e que não ia mais concorrer às eleições.

Desde a primavera (hemisfério norte) de 2011, Fraga reduziu sua atividade política após sofrer uma queda em sua casa de Madri que lhe provocou uma lesão no quadril, da qual foi operado.

Em 1996, o dirigente ‘popular’ foi alvo do ‘comando Galícia’ da ETA, que planejou atentar contra ele quando era presidente da Xunta da Galícia mediante um carro-bomba, embora o atentado tenha sido frustrado pela Guarda Civil.

É autor de uma centena de livros, tinha 15 doutorados ‘honoris causa’ de diferentes universidades espanholas e estrangeiras e era professor honorífico de várias instituições acadêmicas.

Ao se completar o 25º aniversário da entrada em vigor da Carta Magna, Fraga e os outros ‘pais’ da Constituição foram distintos com o Colar da Ordem do Mérito Civil.

De seu casamento com María del Carmen Estévez Eguiagaray teve cinco filhos: María del Carmen, María Isabel, José Manuel, Ignacio e Adriana. Sua mulher morreu em 23 de fevereiro de 1996, após uma longa doença. EFE

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